O ataque racista de Gianluca Prestianni, do Benfica, contra Vinícius Júnior na última terça-feira, 17, em jogo válido pela Liga dos Campeões da Europa, ainda repercute no mundo do futebol. Os principais treinadores do futebol europeu têm sido questionados sobre o tema e dado suas opiniões.
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Logo após a vitória do Real Madrid por 1 a 0, José Mourinho foi um dos primeiros a se pronunciar. Questionado pelos jornalistas, o técnico do Benfica minimizou o caso e questionou o comportamento do brasileiro em comemorar o seu gol dançando.
“Conversei com os dois. O Vinicius me disse uma coisa, mas o Prestianni disse outra. Não posso tomar partido e dizer que acredito 100% no Prestianni. Mas não posso dizer que o que Vinicius me disse é verdade. Vinicius marca um gol que só ele ou o Mbappé conseguem marcar. Ele tinha que subir nos ombros de seus companheiros e não mexer com 60 mil pessoas neste estádio. Essa é a única coisa que digo”, disse o português.
Quem seguiu posicionamento semelhante ao de Mourinho e minimizou o caso foi Luis Enrique, do Paris Saint-Germain. O treinador espanhol fez um longo silêncio após ser questionado e, ainda assim, optou por não opinar.
"O caso do Vinícius? O que posso dizer sobre isso não é… nada de importante", afirmou.
Por outro lado, Vincent Kompany puxou um coro de apoio a Vinícius Júnior. Em entrevista coletiva, o comandante do Bayern de Munique destrinchou o episódio e destacou as reações de Kylian Mbappé e do próprio brasileiro.
“Quando você assiste à jogada em si e como Vini reagiu, esta reação não pode ser um fingimento. Dá para ver que foi uma reação emotiva. Não vejo nenhum benefício para ele em ir até o árbitro e colocar toda essa angústia sobre os ombros dele. Naquele momento, Vini viu que era a coisa certa a fazer. Kylian Mbappé normalmente se mantém diplomático, mas foi muito claro sobre o que viu e ouviu”, iniciou.
Além de opinar sobre o que aconteceu em campo, Kompany lamentou a postura de Mourinho na entrevista coletiva.
“Há o jogador do Benfica escondendo com a camisa o que estava dizendo. E no estádio, você pode ver que havia pessoas fazendo gestos obscenos, está no vídeo. E, para mim, o que aconteceu depois do jogo é ainda pior. José Mourinho basicamente atacou o caráter de Vini Jr.”, completou.
Para Pep Guardiola, do Manchester City, o racismo vai além do futebol e precisa ser combatido em todas as esferas da sociedade.
“Não é o lugar onde nasceu ou a cor da pele que faz de nós melhores. Ainda tem muito trabalho para ser feito. É um problema da sociedade, não apenas do futebol. O racismo existe em todos os lugares. O racismo não é uma questão do tom da pele, é sobre comportamentos. As escolas são os lugares ideias para mudar comportamentos. Paguem mais aos professores. É assim que se resolve. Assim que vamos resolver o problema. Nas escolas, não no futebol”, opinou o espanhol.
Liam Rosenior, do Chelsea, seguiu com o discurso de apoio ao atacante brasileiro, pediu punições severas para o crime e relatou já ter sido vítima de racismo.
"Se qualquer jogador ou técnico for considerado culpado de racismo, não deveria estar no futebol. É simples assim. É perturbador. É sempre preciso haver um contexto. O que eu posso dizer é que qualquer forma de racismo pode ser vista na sociedade, não apenas no futebol, e isso é inaceitável. Não posso falar sobre um incidente que está sob investigação. O que eu diria é que, quando você vê um jogador chateado como o Vinicius Jr. ficou, normalmente ele tem um motivo para estar chateado. Eu mesmo já fui vítima de abuso racial. O que as pessoas precisam entender é que ser julgado por algo de que você deveria se orgulhar é a pior sensação que se pode imaginar", disse o britânico.
Por sua vez, Arne Slot, do Liverpool, elogiou a postura dos jogadores do Real Madrid e da equipe de arbitragem. Assim que foi avisado por Vini, o árbitro François Letexier acionou o protocolo antirracismo e paralisou a partida por cerca de 10 minutos.
“Em geral, nunca se faz o suficiente, sempre se pode fazer mais para garantir que isso nunca mais aconteça. Como comunidade do futebol, temos que tentar fazer mais do que a sociedade em geral faz. Aliás, talvez isso não seja tão difícil. O protocolo foi seguido na partida; esse é o primeiro passo. Espero que meus jogadores façam da mesma forma, que abordem o assunto imediatamente, e que o árbitro atue da mesma maneira”, falou o técnico do Liverpool.