Confederações se unem em crítica à Fifa

Três das principais confederações de futebol do mundo se uniram para fazer duras críticas à Fifa e ao presidente Gianni Infantino. Uefa, AFC e Concacaf divulgaram uma nota conjunta nesta segunda-feira (10), na qual questionam a condução da entidade máxima do futebol e defendem uma liderança voltada ao coletivo. O comunicado foi assinado pelos presidentes […]

10 ago 2026 - 09h34
(atualizado às 09h43)
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Foto: Ton Molina/Getty Images / Esporte News Mundo

Três das principais confederações de futebol do mundo se uniram para fazer duras críticas à Fifa e ao presidente Gianni Infantino. Uefa, AFC e Concacaf divulgaram uma nota conjunta nesta segunda-feira (10), na qual questionam a condução da entidade máxima do futebol e defendem uma liderança voltada ao coletivo.

O comunicado foi assinado pelos presidentes e secretários-gerais das três confederações e direcionado à chamada "família do futebol". No texto, os dirigentes ressaltam que o crescimento do esporte na última década foi resultado do trabalho conjunto de diferentes instituições e não pode ser atribuído a uma única pessoa.

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"O crescimento na última década foi real. Mas esse progresso nunca foi obra de um único indivíduo. Foi fruto da FIFA, das Confederações, das Associações Membro e das milhares de pessoas que dedicam suas vidas ao futebol", diz um trecho.

As entidades também reforçaram que o futebol não pertence a uma pessoa ou instituição específica e defenderam que a união do esporte seja preservada.

"A força do futebol sempre foi a sua união. Apelamos para que essa união seja honrada agora, para uma liderança que sirva o futebol, e não que busque controlá-lo", afirmaram.

Confederações criticam projeto de Infantino

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A manifestação acontece após a crise provocada pelo projeto da Fifa de criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária que teria participação majoritária da entidade e receberia investimentos privados. A empresa seria responsável por concentrar operações relacionadas a importantes competições organizadas pela Fifa, incluindo a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes.

A proposta tinha como objetivo arrecadar até US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 21,5 bilhões). O projeto, porém, provocou forte reação entre dirigentes e confederações, especialmente na Europa.

A Uefa chegou a anunciar que seus 55 representantes boicotariam futuras competições organizadas pela Fifa caso o plano não fosse cancelado. A Concacaf e a AFC também manifestaram oposição à proposta.

Diante da pressão, Infantino desistiu da criação da empresa apenas três dias depois de apresentar a possibilidade de venda de ações a investidores privados.

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Para Uefa, AFC e Concacaf, no entanto, o problema vai além do projeto ter sido abandonado. As entidades criticaram a maneira como a proposta foi apresentada, alegando que houve pouco tempo para análise e ausência de uma consulta significativa às associações-membro.

"A FIFA também se comprometeu a apresentar um relatório completo sobre esses eventos ao Conselho da FIFA, mais uma vez falhando em reconhecer que a governança adequada diante de uma falta de discernimento tão profunda exigiria que tal revisão fosse conduzida por uma terceira parte totalmente independente", escreveram.

As confederações ainda afirmaram que a administração da Fifa não deveria participar da investigação sobre o episódio.

Nota aumenta pressão sobre Infantino

A manifestação conjunta representa uma nova escalada na disputa política entre as confederações e Infantino. A Fifa havia divulgado, no fim da semana passada, um comunicado em defesa do presidente, afirmando que ele continua tendo o apoio do secretário-geral e do Conselho da entidade.

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A organização também declarou que não pretende mais tolerar ataques à integridade, à governança e aos processos da Fifa e que adotaria medidas para proteger o nome e a reputação da entidade.

Em paralelo, Infantino enviou uma carta às 211 associações-membro pedindo desculpas pelo episódio e reconhecendo que erros foram cometidos durante o processo. A Fifa prometeu produzir um relatório sobre o caso para ser apresentado ao Conselho.

A resposta das três confederações, porém, foi mais contundente. Segundo elas, o episódio não deve ser tratado apenas como uma falha de comunicação, mas como uma falha de julgamento.

"Há silêncio onde deveria haver prestação de contas, distância onde deveria haver transparência", afirmaram.

Infantino busca quarto mandato

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A crise também ganhou importância por ocorrer poucos meses antes da eleição presidencial da Fifa. Infantino anunciou em abril que pretende disputar a reeleição no pleito previsto para março de 2027, em busca de seu quarto e último mandato.

O cenário, porém, mudou significativamente desde então. A Uefa passou a defender abertamente uma mudança na presidência da entidade, enquanto a Concacaf também adotou uma postura crítica.

Um dos nomes que passou a ser citado como possível adversário de Infantino é Victor Montagliani, presidente da Concacaf e um dos signatários da nota desta segunda-feira.

Antes da crise, Infantino contava com apoios importantes. Em abril, Conmebol, AFC e CAF haviam declarado apoio à sua candidatura. Juntas, as três confederações representam 111 votos, número superior à metade necessária para garantir a eleição.

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A oposição da Uefa e a posição mais crítica da Concacaf, entretanto, abriram espaço para uma disputa mais acirrada pela presidência da Fifa.

Como funciona a disputa política na Fifa?

O Conselho da Fifa é formado por 37 integrantes. São nove representantes da Uefa, sete da AFC, seis da CAF, cinco da Concacaf, cinco da Conmebol e três da Oceania, além do presidente da entidade e do secretário-geral.

Uma reunião de emergência para discutir a saída de Infantino pode ser convocada caso 19 dos 37 membros do Conselho façam a solicitação.

Por enquanto, o presidente permanece no cargo e deverá tentar chegar à eleição de março de 2027 com o apoio necessário para conquistar um novo mandato. A nota conjunta de Uefa, AFC e Concacaf, porém, mostra que a disputa política dentro da Fifa ganhou uma dimensão inédita nos últimos meses.

No comunicado, as três confederações encerraram a manifestação reforçando que a liderança da entidade deve estar a serviço do futebol.

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"Não se trata da conduta de um guardião do futebol, mas de alguém que acredita que o futebol lhe deve satisfações", afirmaram os dirigentes.

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