A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro deflagrou, nesta segunda-feira (6), a terceira fase da Operação VAR, que investiga um esquema de manipulação de resultados e lavagem de dinheiro envolvendo partidas do futebol fluminense. A ação é conduzida pela Delegacia do Consumidor (Decon) e tem como principal alvo o zagueiro Luiz Gustavo Lopes dos Santos, ex-Portuguesa-RJ e atualmente no Olaria.
Segundo apuração do g1, o atleta foi levado à delegacia para prestar depoimento. Além dele, agentes cumpriram três mandados de busca e apreensão em Bangu, no Complexo da Maré e na sede do Nova Iguaçu Futebol Clube, na Baixada Fluminense.
A investigação apura um suposto esquema de manipulação ocorrido durante a partida entre Portuguesa-RJ e Nova Iguaçu, válida pela sexta rodada do Campeonato Carioca de 2026. Na ocasião, vencida pela Portuguesa por 1 a 0, Luiz Gustavo teria recebido um cartão amarelo de maneira proposital para favorecer apostadores.
De acordo com as investigações, o esquema não tinha como foco alterar o resultado da partida, mas explorar o mercado conhecido como microapostas, modalidade que envolve eventos específicos durante o jogo, como cartões, escanteios ou número de faltas.
Esse tipo de aposta tem crescido nas plataformas esportivas justamente por permitir que apostadores invistam em acontecimentos isolados, independentemente do placar final.
Ainda segundo o g1, um segundo jogador também é investigado no mesmo inquérito, mas não foi localizado durante o cumprimento dos mandados desta segunda-feira. Todo o material eletrônico recolhido será submetido à perícia.
Após o caso ganhar repercussão, Luiz Gustavo chegou a publicar um vídeo nas redes sociais negando qualquer participação em irregularidades. A gravação, no entanto, foi apagada pouco depois.
Na declaração, o defensor afirmou que caberá à Justiça comprovar as acusações e disse:
"Não tenho culpa se as pessoas apostam em mim."
O caso também já havia avançado na esfera esportiva. Em junho, o Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro (TJD-RJ) puniu Luiz Gustavo com 365 dias de suspensão, entendendo que o jogador atuou deliberadamente para prejudicar sua equipe.
Na mesma sessão, o zagueiro Sidão, do Nova Iguaçu, recebeu punição idêntica. Ambos ainda podem recorrer da decisão.
As consequências também atingiram dirigentes da Portuguesa-RJ. O presidente Marcelo Gonçalves e o supervisor Muniz foram multados em R$ 5 mil cada, com base no artigo 220-A do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que trata de omissão ou falta de colaboração com as investigações.
Segundo a Polícia Civil, a Operação VAR busca aprofundar as investigações sobre organizações criminosas especializadas na manipulação de eventos esportivos para obtenção de lucro por meio de apostas ilegais e lavagem de dinheiro.
A origem do inquérito remonta a uma denúncia encaminhada pela Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), ainda em 2024, que apontava indícios de irregularidades em partidas do futebol estadual.