Dietas restritivas elevam riscos à saúde mental de atletas, alerta especialista

Práticas alimentares rígidas, comuns no esporte de alto rendimento, estão associadas a ansiedade, depressão, transtornos alimentares e queda de desempenho, explicou Luciana Fortes, profissional de psicologia e neuropsicologia

13 jan 2026 - 13h30
Médica Luciana Fortes
Médica Luciana Fortes
Foto: Arquivo pessoal / Esporte News Mundo

No universo do esporte de alto rendimento, onde cada detalhe pode representar a diferença entre vitória e derrota, a busca por desempenho máximo muitas vezes ultrapassa os limites do corpo e da mente.

É nesse ponto que o trabalho da médica Luciana Fortes, especialista em Psicologia e Neuropsicologia, ganha relevância ao lançar luz sobre um tema sensível e ainda pouco discutido: os impactos das dietas extremamente restritivas na saúde mental de atletas.

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Segundo a especialista, é comum que atletas, pressionados por exigências estéticas, categorias de peso ou metas de performance, adotem padrões alimentares rígidos e insustentáveis. Embora essas práticas sejam frequentemente justificadas como estratégias para melhorar o rendimento, os efeitos psicológicos podem ser profundos e prejudiciais.

- A restrição alimentar excessiva está diretamente associada ao aumento de ansiedade, sintomas depressivos, insatisfação corporal e ao maior risco de desenvolvimento de transtornos alimentares - explicou a profissional.

Um dos mecanismos mais recorrentes observados na prática clínica é o chamado ciclo de restrição e compulsão alimentar. A privação prolongada de alimentos cria um estado de vulnerabilidade física e emocional que favorece episódios de perda de controle alimentar. Esses episódios, por sua vez, costumam vir acompanhados de sentimentos intensos de culpa e vergonha, que levam o atleta a retomar dietas ainda mais rígidas, perpetuando um ciclo de sofrimento silencioso.

Do ponto de vista neuropsicológico, esse processo também afeta funções cognitivas importantes para o esporte, como atenção, tomada de decisão e regulação emocional.

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- Quando o cérebro está submetido a estresse constante, déficit nutricional e pressão psicológica, o desempenho não melhora, ele se deteriora - ressaltou a especialista.

Além de comprometer a saúde mental, esse ciclo pode impactar diretamente o rendimento esportivo, aumentar o risco de burnout e até contribuir para o abandono precoce da carreira. Para a doutora Luciana Fortes, o alto rendimento não pode ser sustentado à custa do sofrimento psíquico.

Diante desse cenário, a profissional defende a adoção de abordagens multidisciplinares, que integrem psicologia, neuropsicologia, nutrição e preparação física. O objetivo é construir práticas alimentares mais equilibradas, sustentáveis e alinhadas não apenas à performance, mas ao bem-estar global do atleta.

- O cuidado com a mente não é um complemento, é parte fundamental do desempenho - concluiu a médica.

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