Julgamento de acusados pela morte de torcedor do Vasco começa nesta segunda

Nove réus respondem pelo assassinato do vascaíno, morto a caminho do jogo do clube; família acompanha passo a passo

7 fev 2026 - 16h44
(atualizado às 16h50)
Thalyta e Rodrigo José da Silva Sant’Anna, torcedor vascaíno morto no Rio –
Thalyta e Rodrigo José da Silva Sant’Anna, torcedor vascaíno morto no Rio –
Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal / Jogada10

A Justiça do Rio de Janeiro marcou para segunda-feira (9), às 16h, o início do julgamento dos nove acusados pela morte do torcedor do Vasco Rodrigo José da Silva Sant'Anna, de 36 anos. O cruz-maltino morreu a caminho do clássico contra o Botafogo, pela Copa do Brasil 2025.

Rodrigo morreu atingido por um tiro na cabeça quando seguia para assistir ao clássico decisivo entre Botafogo e Vasco, no dia 11 de setembro de 2025, na zona norte do Rio de Janeiro. A vítima foi baleada perto da estação de trem de Oswaldo Cruz, a caminho do Nilton Santos.

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Segundo investigações da Delegacia de Homicídios da Capital, Rodrigo Sant'Anna foi alvo de uma emboscada planejada, motivada por rivalidade entre torcidas organizadas. Acontece que os envolvidos, segundo a Polícia Civil, não tinham relação direta com o jogo e fazem parte da Torcida Jovem do Flamengo.

Os suspeitos, inclusive, evitaram o uso de símbolos da Organizada durante o ataque — a fim de dificultar a identificação. Testemunhas relataram ao menos quatro disparos em meio à confusão, sendo um deles o que atingiu Rodrigo.

Família pede Justiça

Rodrigo estava casado desde 2020 com Thalyta Sant'Anna e deixou quatro filhos: uma bebê de quatro meses à época do crime, um menino de nove anos, autista não verbal, e duas filhas, de 12 e 10 anos, de um relacionamento anterior.

Thalyta afirmou que a decisão da Justiça em manter os réus presos durante o processo trouxe um primeiro sinal de resposta. "Já dá uma pontinha de esperança de que estamos caminhando para que a Justiça aconteça. Porque justo, realmente, nunca vai ser", e prosseguiu:

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"A gente nunca vai ter o Rodrigo de volta. Nossos filhos estão crescendo. A minha bebezinha já está com oito meses, já está aprendendo a andar.  Mas isso já vai trazer um alívio para mim, para a mãe, para o irmão, para os filhos e amigos que sentem a falta dele", disse à CBN.

Thalyta e Rodrigo José da Silva Sant’Anna, torcedor vascaíno morto no Rio –
Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal / Jogada10

Para ela, o julgamento representa a chance de responsabilização para evitar novas vítimas. "Para que não fiquem impunes, que não existam outros Rodrigos. Que se possa exercer o direito de ir e vir, à liberdade ou de estar em um estádio de futebol", e completou:

"Hoje, esses bandidos que falam em nome da torcida saem à rua unicamente com a intenção de matar. Eles parecem ter mais voz, mais poder. Então espero que, com esse julgamento, se mostre que não funciona como terra sem lei", afirmou.

Réus pela morte de torcedor do Vasco

A denúncia do Ministério Público, aceita pela Justiça em outubro de 2025, aponta nove réus. Segundo a acusação, Thiago Faria da Silva Trovão fez o disparo que matou Rodrigo. Everton Oliveira da Silva é acusado de atirar contra Johnny Gomes Borges, que sobreviveu, configurando tentativa de homicídio.

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Já a denúncia atribui a Lucas Machado de Jesus o transporte da arma e dos fogos usados na emboscada. Outros cinco acusados — Gabriel Victor da Silva Carqueija, Rafael Francisco dos Santos, Gabriel Alexandre Sequeira Alves de Araújo, João Pedro dos Santos Campos e Eduardo dos Santos Pereira — participaram diretamente da ação.

Por fim, Tiago de Souza Câmara Mello, identificado como presidente da Torcida Jovem do Flamengo, aparece como responsável por organizar o ataque.

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