Paradas para hidratação elevam disputa comercial entre Globo, SBT e CazéTV na Copa

Essa 'competição' pelo espaço nas transmissões nacionais se intensificou após a eliminação brasileira, no domingo (5), para Noruega

7 jul 2026 - 08h58
(atualizado às 09h19)
Pausas têm gerado lucros bilionários a emissoras internacionais –
Pausas têm gerado lucros bilionários a emissoras internacionais –
Foto: Reprodução/CazéTV/Youtube / Jogada10

As paradas para hidratação da Copa do Mundo, idealizadas inicialmente como medida para preservar atletas, passaram a ocupar um papel estratégico nas transmissões. Após a eliminação da Seleção Brasileira, empresas ampliaram a disputa por anúncios nesses intervalos exibidos por Globo, SBT, SporTV, N Sports e CazéTV. A 'competição' é impulsionada pelo timing da publicidade na partida.

O interesse cresceu no decorrer da Copa justamente porque as pausas acontecem durante a partida. Ou seja, em momentos que reúnem mais público do que o intervalo tradicional. A interrupção curta também se tornou atrativa, pois aumenta a chance de o torcedor permanecer diante da televisão.

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Essa disputa pelo espaço nas transmissões nacionais se intensificou após a eliminação brasileira, no domingo (5). Ao invés de reduzir o interesse, a eliminação ampliou a procura por espaços publicitários durante as paradas, segundo a coluna F5, da Folha de S. Paulo.

Como a regra vale ao longo dos 90 minutos, as emissoras passaram a contar com interrupções previstas. Esse tempo conhecido previamente faz com que os canais consigam programar a exibição dos comerciais e oferecer a entrega aos anunciantes.

O que as emissoras disseram?

Empresas que não fazem parte das cotas oficiais também consultaram as emissoras sobre a possibilidade de comprar inserções de 10 a 15 segundos nesses blocos. Os canais responderam de formas diferentes, mas mantiveram uma posição alinhada sobre a comercialização dos espaços.

Globo e SporTV informaram que utilizam as pausas para campanhas de parceiros que adquiriram cotas da Copa do Mundo ainda no ano passado. Para emissora, trata-se de uma oportunidade bônus dentro dos contratos, que, inclusive, já renderam R$ 2 bilhões em arrecadação comercial para empresa.

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Pausas têm gerado lucros bilionários a emissoras internacionais –
Foto: Reprodução/CazéTV/Youtube / Jogada10

O SBT aproveitou inicialmente os intervalos para divulgar sua própria programação. Na fase mata-mata, mudou a estratégia e passou a incluir anúncios de patrocinadores do Mundial. A N Sports adotou a mesma estratégia por retransmitir o conteúdo da emissora.

A CazéTV, entre os detentores de direitos, foi a única que negociou publicidade nessas pausas com novos parceiros. Mesmo com pouco tempo para vender o inventário, já que a Fifa anunciou a novidade apenas uma semana antes do início da Copa, o canal esportivo da Livemode, em parceria com Casimiro Miguel, conseguiu comercializar os espaços.

Paradas para hidratação e os direitos de TV

A Fifa considera a medida bem-sucedida e decidiu mantê-la em outras competições, como a Copa do Mundo de Clubes de 2029 e o Mundial feminino do próximo ano, que será disputado no Brasil. Paralelamente, o mercado já enxerga essas pausas como um fator de valorização dos direitos de TV da Copa de 2030.

Segundo reportagem de Rodrigo Mattos, o modelo fortalece a negociação do próximo ciclo de mídia, enquanto levantamento do portal DROPS aponta que a expansão para 104 partidas criou 624 minutos extras aptos para publicidade. Nos EUA, por exemplo, o estudo estima cada inserção de 30 segundos em cerca de 400 mil dólares (R$ 2 milhões). Esse valor projeta um potencial de cerca de 500 milhões de dólares (pouco mais de R$ 2,5 bilhões) em receitas adicionais.

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