Fifa quer abrir capital a investidores privados; familiar de Trump estaria interessado

Ideia prevê criação de fundo para administrar direitos comerciais de torneios; Uefa reage de maneira pesada e diz que "futebol não está à venda"

28 jul 2026 - 14h46
Trump e Infantino mantiveram uma relação muito próxima durante a Copa do Mundo nos EUA –
Trump e Infantino mantiveram uma relação muito próxima durante a Copa do Mundo nos EUA –
Foto: Official White House/Daniel Torok / Jogada10

A Fifa apresentou nesta terça-feira (28) um plano para abrir parte de sua área comercial a investidores privados e recebeu uma resposta imediata da Uefa, que classificou a iniciativa como uma ameaça à governança do futebol. De acordo com o jornal britânico The Times, o projeto prevê a criação de uma nova empresa para administrar os direitos comerciais e operacionais das principais competições da entidade, incluindo a Copa do Mundo.

Batizada de Fifa Forward Enterprise (FFE), a companhia concentraria os ativos comerciais dos torneios organizados pela entidade. A Fifa pretende vender até 20% de participação para investidores estratégicos, enquanto manteria o controle majoritário e o poder de decisão sobre a empresa. Segundo a entidade, o objetivo é ampliar a capacidade de investimento no desenvolvimento do futebol e aumentar os repasses financeiros às associações nacionais.

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Trump e Infantino mantiveram uma relação muito próxima durante a Copa do Mundo nos EUA –
Foto: Official White House/Daniel Torok / Jogada10

De acordo com o plano, a operação pode levantar cerca de 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,5 bilhões). A Fifa afirma que os recursos permitiriam elevar significativamente os investimentos destinados às suas 211 federações filiadas no próximo ciclo financeiro. A proposta ainda será submetida à aprovação do Conselho da entidade e das associações nacionais. Para que seja aprovada, precisa da maioria dos votos de seus filiados.

Familiar de Trump interessado na ideia

Um fato, porém, chama a atenção nessa manobra da Fifa. O Thrive Eternal, fundo de investimento administrado por Joshua Kushner, irmão do marido de Ivanka Trump, filha de Donald Trump, presidente dos EUA, é apontado pela própria Fifa como o principal investidor interessado.

Segundo a agência Reuters, a Fifa trabalha no projeto também com o banco JPMorgan e com Greg Maffei, ex-presidente da Liberty Media, para atrair potenciais investidores.

Nesta terça-feira (18), inclusive, a Fifa passou a ser alvo de uma investigação no Congresso dos EUA após parlamentares questionarem a relação entre o presidente da entidade, Gianni Infantino, e o presidente americano Donald Trump. O deputado democrata Jamie Raskin solicitou uma série de documentos à entidade. Além disso, prometeu convocar o dirigente para prestar esclarecimentos sobre possíveis favorecimentos políticos e financeiros envolvendo a Casa Branca.

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Uefa reage: 'A alma e a governança do futebol não estão à venda'

A Uefa reagiu de forma dura ao anúncio. Em nota oficial, a entidade afirmou que a iniciativa "cruza uma linha que as instituições governamentais do futebol nunca deveriam cruzar" e criticou a falta de transparência sobre quem será beneficiado financeiramente pela negociação.

"A Uefa leva este assunto extremamente a sério. Toda Associação Nacional de Futebol também deveria: ligas, clubes, jogadores, torcedores, governantes e todos os que se preocupam com o futuro do jogo. A alma e a administração do futebol não podem ser negociados, especialmente quando não existe transparência sobre quem beneficia financeiramente. Ninguém é dono do futebol. Assim, não cabe à Fifa vendê-lo", informa um trecho do comunicado da Uefa publicado nas redes sociais.

A proposta também reacende a disputa política entre Fifa e Uefa sobre o controle do futebol mundial. A confederação europeia avalia que a entrada de capital privado pode ampliar a influência de interesses comerciais nas decisões da modalidade, enquanto a Fifa sustenta que a participação dos investidores será apenas minoritária, sem interferência na gestão esportiva da organização.

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