A etapa final da Copa do Mundo de Águas Abertas da World Aquatics, disputada no último fim de semana em Setúbal, Portugal, terminou marcada por uma polêmica envolvendo a qualidade da água utilizada nas provas. Após a competição, diversos atletas relataram problemas de saúde, e alguns precisaram de atendimento médico, levando a entidade internacional a divulgar um comunicado oficial sobre o caso. A apuração é do jornal português A Bola.
A situação ganhou repercussão principalmente após a húngara Bettina Fabian informar que precisou ser hospitalizada depois da disputa realizada na praia de Albarquel, na Baía do Sado. Outros competidores também utilizaram as redes sociais para relatar sintomas e questionar as condições do local da prova.
Segundo informações divulgadas por atletas e veículos europeus, uma das hipóteses levantadas para o aumento dos casos está relacionada às condições das correntes marítimas. Enquanto a prova masculina foi realizada pela manhã, quando a influência do oceano era predominante, a disputa feminina ocorreu durante a tarde, em um período de mudança da maré, quando a corrente passou a receber maior influência das águas do Rio Sado, que desemboca na região.
O Brasil esteve representado na competição masculina por Victor Moreno e Matheus Mellechi. Nenhum dos dois apresentou sintomas após a prova. Já Viviane Jungblut, principal nome brasileiro da modalidade, não participou da etapa portuguesa deste ano.
A repercussão chamou atenção pelo histórico da sede. Setúbal recebe competições internacionais de águas abertas há quase duas décadas e raramente esteve envolvida em episódios semelhantes.
Diante das reclamações, a World Aquatics enviou uma comunicação oficial às federações nacionais. No documento, assinado pelo diretor-executivo Brent J. Nowicki, a entidade reconheceu ter sido informada sobre problemas de saúde envolvendo atletas que participaram da competição e solicitou que novos casos sejam comunicados pelas respectivas federações.
"A saúde, segurança e bem-estar dos atletas continuam sendo nossa maior prioridade", afirmou Nowicki no comunicado. A entidade também informou que está monitorando a situação e recolhendo informações sobre possíveis ocorrências relacionadas ao evento.
A polêmica reacende o debate sobre os critérios de avaliação da qualidade da água em competições internacionais de águas abertas, tema que já esteve em evidência recentemente em eventos realizados na Europa.