Jhon Arias não merece ser ídolo do Fluminense

Procure um lugar na história ao lado de Emerson Sheik

15 out 2026 - 16h03
(atualizado às 16h03)
Resumo
Apesar de reconhecer a importância histórica de Jhon Arias nas conquistas da Libertadores e da Recopa pelo Fluminense, o artigo defende que o jogador não alcançou o status de ídolo. O autor argumenta que a quebra da promessa de só retornar ao Brasil para atuar pelo clube carioca, ao acertar com o Palmeiras pouco após ir para a Inglaterra, somada à sua postura em campo contra o ex-time, rompeu o laço afetivo com a torcida, rebaixando-o ao patamar de Emerson Sheik: histórico, mas jamais idolatrado.

Antes de mais nada, o futebol é um esporte profissional. Nessa modalidade, jogadores recebem grandes salários conquistados por méritos próprios. Começo dizendo isso para que o torcedor entenda que, assim como o Fluminense um dia fez uma proposta por Jhon Arias na Colômbia, é comum que outros clubes queiram contratar seus jogadores.

Foto: Divulgação / Agência RTI Esporte
Foto: Divulgação / Agência RTI Esporte
Foto: Divulgação / Agência RTI Esporte / RTI Esporte

O segundo ponto é que eu entendo perfeitamente quando um atleta deseja mudar de ares, seja para ganhar mais, seja para realizar um sonho ou ficar próximo da família. Bom, Jhon Arias deixou o Fluminense para jogar na Inglaterra e ganhar menos. A minha opinião é que o negócio foi ruim para todo mundo.

Publicidade

Então vamos voltar ao começo. O Fluminense fez um bom negócio tecnicamente quando contratou o desconhecido Jhon Arias. Ele começou mal, claudicou, mas o clube teve paciência e esperou. Arias se tornou um dos grandes nomes na conquista da Libertadores da América, em 2023, e um dos responsáveis pelo título da Recopa Sul-Americana, em 2024.

Esses dois fatos colocaram o seu nome na história, e isso ninguém apaga. Nem vou lembrar do momento de maior dificuldade da sua vida pessoal, quando o Fluminense o abraçou. Aliás, o lado familiar precisa ser respeitado pelo torcedor, independentemente de qualquer coisa. Não se usa família, em hipótese alguma, para atacar um ou outro.

Mas, Arias, deixa eu te falar uma coisa: futebol é passional. O que é amor hoje, amanhã é ódio. Quando você deixa o Fluminense para viver o seu sonho, o torcedor entende. Fica triste, mas entende. Mas, quando você diz que só volta para o Brasil para jogar no Fluminense e, seis meses depois, acerta com o Palmeiras, você acaba para o torcedor.

Promessa deveria ser dívida e gratidão

Se não dependia só de você, você não deveria ter prometido. O outro ponto, e para mim o mais grave, é o seu comportamento. E por isso, eu tenho que dizer que entrar para a história é completamente diferente de se tornar ídolo.

Publicidade

É claro que o torcedor vai vaiar, xingar; isso faz parte do futebol. Desde que não extrapole. Como eu disse, a família é sagrada e não se mexe com a família. Ah, fica tranquilo, não tem ninguém com amnésia. É porque gratidão não prescreve. Deu para entender agora?

Quando você veste a camisa do Palmeiras, o que se espera é que você dê a vida pelo clube, como você faz e já fez pelo Fluminense. Afinal de contas, você é profissional e isso ninguém duvida. Mas o seu comportamento na hora do gol do seu time, contra um clube que fez você se tornar quem é hoje, e as suas palavras mostram que você nunca entendeu o que é o Fluminense.

Ídolo entende o torcedor. O que vem da arquibancada é tristeza, amargura. No fundo, eles te amam. Você deu alegrias, mas deixou com saudades aquele a quem você prometeu um dia voltar. Ídolo? Não, você só Jhon Arias, aquele que nunca tinha vestido a camisa da sua seleção antes de pisar no Fluminense.

Jhon Arias está ao lado de Emerson Sheik na galeria de jogadores do Fluminense.

Antes de encerrar, eu reforço: você está na história e isso ninguém será capaz de apagar. Mas você nunca estará ao lado de Assis, Washington, Fred, Romerito, Germán Cano, Castilho, Ézio, Marcelo, entre tantos outros. Seu lugar é ao lado de Emerson Sheik, que também está na história do Fluminense por ter feito o gol do título do Campeonato Brasileiro de 2010. Mas nunca será ídolo do torcedor.

Publicidade

Cassiano Carvalho é jornalista, radialista, empresário e sócio-fundador da Agência RTI Esporte.

Fique por dentro das principais notícias de Futebol
Ativar notificações