Eliminado da Libertadores, o Fluminense vive crise financeira com dívida de R$ 1,04 bilhão, sendo R$ 483 milhões a curto prazo. Para manter salários em dia, o clube parcelou luvas e férias do elenco até 2027. O cenário agravou-se por contratações caras, frustração de receitas com vendas de atletas e riscos ao patrocínio máster. Advertido pela Anresf por pendências fiscais e trabalhistas, o Tricolor arrisca sofrer sanções desportivas e já negocia virar SAF com aporte inicial de R$ 500 milhões.
O Fluminense enfrenta um momento delicado em suas finanças após a eliminação para o Palmeiras, nos pênaltis, pela semifinal da Copa Libertadores. A queda impediu o clube de disputar uma premiação que poderia variar de aproximadamente R$ 35 milhões, pelo vice-campeonato, a R$ 125 milhões, em caso de título. Diante das dificuldades financeiras, a diretoria negociou com o elenco o parcelamento de compromissos relacionados a luvas, férias e premiações de 2026, transferindo pagamentos para o início de 2027.
A medida busca preservar o pagamento dos salários e direitos de imagem mensais, considerados prioritários pela administração. Entretanto, o cenário financeiro continua preocupante. O Fluminense acumula uma dívida total estimada em R$ 1,04 bilhão, sendo aproximadamente R$ 483 milhões com vencimento em até 12 meses. O montante coloca o Tricolor entre os clubes mais endividados do futebol brasileiro.
Outro fator que contribuiu para o desequilíbrio foi a diferença entre as receitas projetadas e os valores efetivamente arrecadados. O planejamento financeiro previa aproximadamente R$ 200 milhões em negociações de jogadores durante 2026. Entretanto, a diretoria optou por preservar peças importantes do elenco, concretizando apenas a venda de Facundo Bernal. Com isso, o déficit relacionado às transferências foi estimado em R$ 79 milhões.
Os investimentos realizados para fortalecer o time também aumentaram as despesas. Contratações de jogadores como Hulk e Savarino, somadas à manutenção de uma folha salarial elevada, ampliaram os compromissos mensais. Paralelamente, o Flu acompanha as discussões sobre possíveis restrições às empresas de apostas, já que uma eventual perda do patrocínio máster da Superbet poderia representar um impacto estimado em R$ 100 milhões no orçamento de 2027.
A situação também exige atenção às regras de sustentabilidade financeira da CBF. O Tricolor declarou possuir pendências vencidas com atletas e funcionários, outros clubes e obrigações tributárias. Conforme as informações apresentadas, o clube recebeu uma advertência de grau mínimo da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf). Caso não regularize as pendências nos prazos estabelecidos, poderá enfrentar sanções progressivas, incluindo restrições ao registro de jogadores.
Nos bastidores, a gestão do presidente Mattheus Montenegro mantém discussões sobre a possibilidade de transformar o Fluminense em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Uma proposta inicial de investimento, estimada em R$ 500 milhões e conduzida por meio do BTG, integra as negociações.