O senador Flávio Bolsonaro trocou mensagens com o jogador Richarlison pedindo que ele negasse o envolvimento do político na disputa pela posse de uma ilha de R$ 10 milhões em Angra dos Reis. O atleta afirmou que seu ex-empresário apontou Flávio como real beneficiário do imóvel, hoje sob posse do advogado Willer Tomaz após um acordo judicial. O caso é alvo da Polícia Federal em inquérito no STF que investiga suposta lavagem de dinheiro e a relação financeira entre o senador e Tomaz.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, trocou mensagens com o atacante Richarlison, do Tottenham, sobre a disputa judicial pela posse de uma ilha em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Segundo reportagem da coluna responsável pela divulgação do caso, os diálogos ocorreram entre o fim de março e o início de julho de 2026 e incluem o envio de documentos privados relacionados a um acordo extrajudicial.
Nas conversas, Flávio encaminhou ao jogador imagens de um documento firmado entre o advogado Willer Tomaz e Renato Velasco, ex-empresário de Richarlison. O acordo, assinado em 20 de agosto de 2025, previa a desistência da ação judicial envolvendo a propriedade. Segundo a reportagem, o material enviado pelo senador continha informações sobre três contas bancárias de Velasco que teriam recebido pagamentos relacionados ao acordo. Os valores, porém, não foram esclarecidos pelos envolvidos.
Flávio pediu posicionamento público a Richarlison
Em uma conversa de 1º de julho de 2026, Flávio pediu que Richarlison divulgasse uma nota pública afirmando que o senador não tinha relação com a disputa. O parlamentar alegou que o assunto estava sendo usado contra ele.
Na troca de mensagens, o atacante respondeu que o próprio Velasco havia dito que Flávio tinha ficado com a ilha. O senador negou a afirmação e classificou a acusação como mentira.
Acordo encerrou disputa judicial
Cinco dias após a assinatura do acordo extrajudicial, em 25 de agosto de 2025, Velasco desistiu oficialmente da ação. Em 1º de setembro, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, relator do caso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), encerrou o processo. Com isso, Willer Tomaz passou a ter a posse definitiva da propriedade, conforme o relato publicado.
De acordo com a defesa de Richarlison, o jogador só tomou conhecimento do desfecho posteriormente. O atacante havia adquirido a ilha em 2020, por meio da empresa Sport 70, em sociedade com Velasco e Alencar da Silveira Júnior, ex-presidente do América-MG.
Caso é investigado pela Polícia Federal
A disputa voltou a ganhar repercussão após Richarlison publicar vídeos nas redes sociais cobrando de Flávio Bolsonaro explicações sobre o dinheiro investido na propriedade, avaliada em aproximadamente R$ 10 milhões.
Segundo a reportagem, a Polícia Federal investiga as circunstâncias das negociações envolvendo a ilha. O caso será incorporado a um inquérito que apura a relação entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre os pontos investigados está a possível atuação conjunta dos dois em um suposto esquema de lavagem de dinheiro. A reportagem também informou que Flávio estava cadastrado como "usuário master" de uma conta bancária vinculada à Alcazar Holdings, empresa administrada por Willer Tomaz com sede na Ilha da Madeira, em Portugal.
A disputa judicial teve início em 2022, quando Willer Tomaz obteve uma decisão de reintegração de posse. Richarlison e Velasco contestaram a operação e acusaram o advogado de utilizar documentos fraudulentos para reivindicar a propriedade. Essas alegações integram a versão apresentada pelos envolvidos na disputa e não devem ser tratadas como fatos comprovados sem confirmação judicial.
Procurados pela equipe responsável pela reportagem original, Flávio Bolsonaro, Willer Tomaz e Renato Velasco não esclareceram os valores nem as datas dos pagamentos mencionados no acordo. Segundo a publicação, o espaço para manifestação permaneceu aberto.