O Flamengo foi eliminado da Libertadores nos pênaltis pelo Estudiantes, no Maracanã, frustrando o sonho do bicampeonato consecutivo. O técnico Leonardo Jardim lamentou a queda, explicou suas alterações táticas contra a retranca adversária e defendeu os batedores que desperdiçaram as cobranças, assumindo a responsabilidade. Apesar do baque, o treinador cobrou foco imediato nas sete rodadas finais do Brasileirão, torneio que a equipe lidera por um ponto de vantagem.
O Flamengo está fora da final da CONMEBOL Libertadores após ser eliminado nos pênaltis pelo Estudiantes, nesta quinta-feira (22), no Maracanã. Leonardo Jardim iniciou a coletiva de imprensa lamentando a eliminação e analisou as escolhas feitas dentro de campo.
"Queria agradecer a este público que estava aqui presente e estava entusiasmado com a nossa campanha. É uma frustração grande e decepção. Operamos as mudanças que achamos necessárias. O adversário estava a jogar em bloco baixo. O Arrasca poderia nos dar a qualidade do jogo entrelinhas. Arriscamos com os outros jogadores. Mantivemos jogadores como Paquetá, que estão perto do gol. Arriscamos com BH e Plata. O jogo foi muito parecido. Eles fecharam o bloco e não conseguimos ter essa presença na área que poderíamos", destacou o português.
Com a eliminação da Libertadores 2026, o Flamengo foca nas últimas sete rodadas do Campeonato Brasileiro. O Mais Querido segue na liderança, mas com apenas um ponto de vantagem do segundo colocado. Jardim respondeu sobre as motivações e o impacto que a queda pode causa no time.
"É grande o impacto. Todos nós queríamos estar na final e poder ganhar uma segunda Libertadores. Uma segunda Libertadores consecutiva era uma coisa que nunca tinha acontecido e podia acontecer. Com certeza estamos decepcionados e frustrados. Certeza que também temos um Campeonato Brasileiro para jogar ainda sete rodadas. Estamos na frente e queremos mostrar qualidade na próxima segunda-feira para tentar ganhar o troféu que ainda disputamos", pontuou o treinador.
Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique foram os jogadores que pararam em Muslera nas penalidades. Jorginho errou o primeiro pênalti desde que chegou ao Flamengo. O técnico disse que houve treinos para uma possível disputa de pênaltis, mas não cabe ao comandante ensinar jogadores com um histórico positivo dentro do futebol e ressaltou que confia nas decisões dos atletas.
"Não é hoje, que sou treinador do Flamengo, que vou ensinar jogadores deste nível, alguns deles com centenas de jogos e muitos pênaltis, como vão bater. Com certeza, melhor do que eu eles batem, e que nós todos que estamos aqui. Eles têm que tomar as melhores decisões, se acharam que era daquela forma, assumiram daquela forma. Não é o treinador que vai chegar lá e vai dizer bate para o lado, rasteiro, no alto. Cada jogador tem que assumir.
O futebol só tem uma grande regra: só falha quem marca. Eu não coloquei para marcar os medos, eu coloquei para marcar aqueles jogadores mais consagrados, que estão acostumados a marcar pênaltis pelo clube, e muitas vezes, na seleção. Só quem marca e quem falha é quem está lá dentro. Eles tentaram, e mais do que ninguém queriam finalizar e fazer o gol. Durante a semana treinamos duas sessões, tivemos um treino de pênaltis, que muitos deles, nas séries de três, tiveram 100% de eficácia, e por isso também foram escolhidos. Agora é fácil estar aqui e apontar o dedo a uma situação ou outra. Mas o responsável é sempre o treinador, e os jogadores tentaram fazer o seu melhor, tanto nos pênaltis, como no jogo", ressaltou Jardim.
O Flamengo volta à campo para enfrentar o Atlético-MG. na próxima segunda-feira (26), no Maracanã, pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro.
OUTROS TRECHOS DA COLETIVA
Efetividade e criação na jogadas
- O jogo aqui no Maracanã foi dominado por nós. Vocês às vezes falam muito de dados, foram quase 75% de posse de bola. Mas em termos de efetividade, não conseguimos ter esse presença na área. Criamos duas situações de gol, mas não fomos capazes de criar mais. Se deve também à atitude do adversário. É uma equipe que fez uma grande campanha e só perdeu para nós na fase de grupos. E não conseguimos finalizar, que é o objetivo. É uma pena, porque todo mundo estava imbuído desse espírito, não só os torcedores, mas também nós do grupo. Todos se dedicaram ao máximo para chegar à final. Nos pênaltis, as coisas não aconteceram a nosso favor.
Volta de Arrascatea
- Com certeza, o Arrasca, na semana que passou, trabalhou o físico, sem contato. Nesta semana, nos treinos que fizemos, ele trabalhou com o grupo, fez as atividades com o grupo. Dificilmente ia entrar de início por conta do impacto que foi o jogo, e vocês viram como o adversário impactou muito e como o bloco deles estava baixo. O Arrasca é o melhor que temos para jogar em pequenos espaços, e ele também se disponibilizou, desde a semana passada, a ser uma solução se a equipe tivesse necessidade. Se a equipe estivesse ganhando, não íamos precisar dele, mas, nessa situação em que estávamos com mais um jogador e havia muito jogo entre linhas, ele entrou. Não fez um excelente jogo, mas tentou ajudar naquilo que foi possível, assim como todos que entraram.
Faltaram reforços?
- Essa questão, neste momento, com a frustração que estamos sentindo em relação ao resultado, é pertinente, porque podíamos ter tido outros tipos de situações. Mas, neste momento, é viável, pois este grupo tem demonstrado, ao longo da campanha, que não é por acaso que temos uma das melhores campanhas. Fomos eliminados invictos. O grupo tem demonstrado soluções. Já tivemos grandes problemas dentro de campo: os jogadores ficaram mais de um mês parados, como o Erick, o Paquetá e o Arrascaeta, duas vezes. Tivemos várias situações, e fomos conseguindo dar resposta com aqueles que estiveram de fora. O treinador tem que assumir, porque esse é o nosso papel, e temos que assumir nossas responsabilidades. Eu nunca fugi das minhas responsabilidades e não é agora que vou fazer isso.