Flamengo demonstra preocupação com possível perda de R$ 430 milhões

VP Geral do Flamengo, Flávio Willeman, representa o clube em Audiência Pública no STF sobre MP que proíbe as bets no Brasil

3 nov 2026 - 15h14
(atualizado às 15h14)
Resumo
Em audiência no STF sobre a MP que proíbe as apostas esportivas no Brasil, o Flamengo alertou para um prejuízo de cerca de R$ 430 milhões em receitas anuais. Representado pelo vice-presidente Flávio Willeman, o clube defendeu a segurança jurídica e a manutenção dos contratos firmados com as bets sob a legislação anterior. A diretoria ressaltou que a perda financeira abrupta ameaça o planejamento esportivo da instituição e coloca em risco os postos de trabalho de mais de 1.200 funcionários.
Bap (esq.) foi representado pelo VP Geral do Flamengo, Flávio Willeman –
Bap (esq.) foi representado pelo VP Geral do Flamengo, Flávio Willeman –
Foto: Gilvan de Souza / Flamengo / Jogada10

O Flamengo foi um dos clubes que se manifestou sobre a proibição das bets no Brasil durante a Audiência Pública do STF desta terça-feira (3/11), em Brasília (DF), sobre a Medida Provisória que trata das apostas esportivas. A MP 1.394/2026, aliás, proibiu a exploração de apostas de quota fixa, encerrando autorizações concedidas às empresas do setor. Assim, os clubes tiveram a oportunidade de defender seus pontos de vista, já que são afetados de maneira direta pela decisão do Governo.

Flávio Willeman, então, representou o Flamengo no lugar do presidente Bap, que não pode comparecer. Willeman é vice-presidente geral do clube e esteve ao lado do advogado do Mengo, Alexandre Rückert Marques. Em seu discurso, o VP respeitou as preocupações do Ministro Luiz Fux, mas demonstrou que o planejamento futuro do Flamengo se baseava nos contratos assinados e na legislação vigente. Assim, caso o banimento das apostas persista, colocaria em cheque o cumprimento de acordos.

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Bap (esq.) foi representado pelo VP Geral do Flamengo, Flávio Willeman –
Foto: Gilvan de Souza / Flamengo / Jogada10

Veja o que o VP do Flamengo falou

"É óbvio que o Clube de Regatas do Flamengo não diverge das preocupações externadas por Vossa Excelência, pelos dois intervenientes que me antecederam e, obviamente, pela Presidência da República, quando tenta, de alguma maneira, coibir vícios decorrentes de atividades ilegais disseminadas no Brasil. Todavia, é preciso salientar que, sobretudo no que diz respeito ao Flamengo, o clube passou, ministro — e isso é fato público e notório no meio do desporto —, por uma profunda reformulação a partir do ano de 2013, com alterações estatutárias importantes que impuseram e impõem aos presidentes do Flamengo um regime de responsabilidade fiscal", iniciou o dirigente.

Após o breve histórico sobre a recuperação do Flamengo, o dirigente reafirmou sobre o planejamento do clube. O Fla, segundo ele, utilizava a legislação e os contratos com as casas de apostas para planejar seu próximo ciclo nos esportes.

"O Flamengo não descumpre as normas jurídicas vigentes, sejam elas civis, consumeristas ou trabalhistas. O Flamengo respeita as regras jurídicas vigentes e, portanto, buscou sua reestruturação à luz desses preceitos. E foi com base nesses preceitos, excelentíssimo senhor ministro, que o Flamengo celebrou seus contratos com as empresas — ou com as duas empresas de apostas — que estamparam patrocínio em suas camisas. Foi com base nesses contratos e na legislação vigente que o Flamengo planejou sua estruturação financeira para os anos seguintes à celebração desses acordos", seguiu.

Preocupação com desemprego e queda de quase meio bilhão de reais em receita

Bem como o Fluminense, através do presidente Mattheus Montenegro, o Flamengo também demonstrou preocupação com desemprego. Afinal, segundo Flávio Willeman, o Flamengo verá o comprometimento de cerca de R$ 430 milhões por conta da MP. Isso, então, impactaria em mais de 1.200 empregados que trabalham no clube, algo que também deve ser analisado pelo STF.

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"O Flamengo possui mais de 1.200 empregados, que poderão ser comprometidos com a queda de aproximadamente R$ 430 milhões de receitas anuais com o futebol e com os esportes olímpicos. (…) Portanto, a primeira intervenção que o Flamengo traz a esta Corte e a todos que nos assistem é a necessidade de respeito à segurança jurídica daqueles que confiaram em uma legislação debatida no Congresso Nacional, aprovada no Congresso Nacional e regulamentada pelo governo federal. A garantia de que contratos não serão rompidos do dia para a noite a partir da edição de uma medida provisória", disse.

Cronograma da Audiência Pública no STF

Além do Flamengo, outros times brasileiros têm a oportunidade de se manifestar na Audiência Pública. CBF e Ministério da Fazenda, aliás, também falarão. Com os depoimentos colhidos, o STF avaliará os argumentos para, então, se definir sobre a proibição ou liberação das bets no Brasil.

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