Às vésperas das oitavas de final da Libertadores, contra o Cruzeiro, o ambiente no Flamengo é marcado por cobranças que extrapolam os resultados recentes. As atuações abaixo da expectativa desde a retomada após a Copa do Mundo, somadas ao aumento da distância para o Palmeiras no Brasileirão, fizeram o nome de Filipe Luís voltar ao centro das discussões internas.
Um dos pontos centrais da insatisfação interna, que se divide entre setores, é com a forma que o time tem jogado — especialmente no pós-Copa. Integrantes do departamento de futebol estão incomodados com o desperdício da herança deixada por Filipe Luís, já que a equipe passou a dar mais espaços no sistema defensivo e tem controlando muito pouco os jogos, sem a mesma frequência de meses atrás. Esse cenário tem alimentado comparações ao trabalho desenvolvido pelo ex-lateral.
Filipe Luís x Leonardo Jardim
Embora as comparações existam, elas não significam, ao menos por ora, rejeição ao trabalho de Leonardo Jardim. O treinador português mantém boa relação com jogadores e é reconhecido internamente como um profissional direto e trabalhador.
D acordo com o ge, as divergências estão concentradas na maneira como a equipe vem sendo preparada e na proposta de jogo implementada desde sua chegada. Parte do elenco tem a percepção de que esse processo ainda está em assimilação. Inclusive, Jardim entende que a pausa para Copa do Mundo prejudicou esse entendimento de ideias, visto que trabalhou sem nove atletas — boa parte de seus titulares, que estavam à disposição de outros treinadores, com características distintas.
Departamento de futebol
As insatisfações, porém, não recaem apenas sobre o trabalho de Leonardo Jardim, mas especialmente sobre o departamento de futebol, com José Boto. O Departamento Médico do clube também entra na lista, embora esse descontentamento se arraste desde o início da gestão Bap.
No caso do diretor português, a relação com atletas e funcionários segue marcada pelo distanciamento, pela frieza e por cobranças consideradas excessivamente duras. Há quem o classifique como alguém grosseiro e sem qualquer interesse em tornar o convívio melhor.
A resistência ao dirigente também era antiga, mas se intensificou depois da demissão de Filipe Luís, em março. Mas desde sua chegada ao clube, Boto era descrito por funcionários como alguém que nunca buscou construir uma imagem de proximidade nos bastidores. Ele também mantém relação distante com o elenco rubro-negro.