Presidente de time da Série A detona SAF do próprio clube: 'Desrespeito'

Dirigente critica relação institucional com a gestão da SAF, aponta falhas no contrato de venda e cobra mais diálogo com os responsáveis pelo futebol

10 mar 2026 - 15h30
(atualizado às 15h30)
Taça do Brasileirão do titulo do Botafogo
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Foto: Esporte News Mundo

A presidente da associação do Coritiba, Marianna Libano, fez duras críticas à relação entre o clube associativo e a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) que administra o departamento de futebol do Coxa.

Em entrevista à rádio TMC Curitiba, a dirigente apontou falta de diálogo, desrespeito institucional e problemas estruturais no contrato firmado quando o clube foi vendido para investidores.

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Segundo Marianna, o principal entrave na relação com a SAF é a dificuldade de comunicação e participação nas decisões estratégicas do clube, apesar de a associação manter presença formal na estrutura de governança.

"Somos sócios do negócio e queremos que ele dê certo. Mas muitas vezes não somos ouvidos, e isso gera um desrespeito institucional", afirmou.

A dirigente também citou diretamente a postura do CEO da SAF, Lucas de Paula, como um dos pontos de tensão na relação entre as partes. De acordo com ela, houve episódios em que o executivo teria contornado a cadeia formal de governança ao dialogar com outros dirigentes sem passar pela presidência da associação.

Para Marianna, esse tipo de conduta ultrapassa os limites estabelecidos no acordo entre as partes.

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"Quando um CEO não senta com a presidente, que é a responsável dentro da cadeia de governança, e vai direto falar com outras instâncias do clube, ele ultrapassa limites. Isso interfere na associação e infringe o acordo de acionistas", declarou.

Diante dessas situações, a associação chegou a enviar uma notificação formal à SAF alegando descumprimento de normas de governança previstas no contrato.

Embora detenha apenas 10% da sociedade, a associação ainda tem representação no Conselho de Administração da SAF, posição atualmente ocupada pela própria Marianna. Segundo ela, essa presença institucional deveria permitir fiscalização e contribuição no projeto do clube.

No entanto, a dirigente afirma que a participação da associação tem sido limitada na prática.

Ela também relatou que a entidade tentou integrar o comitê de futebol do clube, mas que o representante indicado acabou deixando o cargo após perceber que não participava das decisões mais relevantes.

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"Quando a associação cobra demais, muitas portas acabam se fechando. E, para mim, isso não é postura de gestor que deveria estar à frente do Coritiba", criticou.

Além das críticas à gestão atual, a presidente também questionou os termos do contrato firmado na venda do clube para a Treecorp Investimentos.

Na avaliação dela, existe uma grande diferença entre o discurso apresentado no momento da negociação e o que foi efetivamente estabelecido no documento.

"O contrato está sendo cumprido, mas o problema é a forma como ele foi feito e o quanto ele foi prejudicial ao Coritiba", afirmou.

Marianna considera que o acordo acabou protegendo mais os interesses dos investidores do que os do clube.

Outro ponto criticado pela dirigente foi o valor mínimo de investimento no futebol estipulado no contrato. O montante, de aproximadamente R$ 120 milhões, já era considerado baixo no momento da assinatura, segundo ela.

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Com a inflação do mercado do futebol nos últimos anos, o valor teria se tornado ainda mais limitado para um clube que disputa o Brasileirão.

"Mesmo na época em que o contrato foi assinado, esse valor já era considerado baixo para um clube de Série A. Hoje, com o mercado ainda mais inflacionado, a diferença é ainda maior", avaliou.

Torcida protestou contra a SAF

As declarações ocorrem poucos dias depois de protestos organizados por torcedores do Coritiba contra a gestão da SAF. Entre as reivindicações, parte da torcida pediu a saída de Lucas de Paula e do head esportivo William Thomas.

Marianna afirmou compreender a insatisfação dos torcedores, destacando que a expectativa criada quando o clube adotou o modelo de SAF era de uma transformação significativa no patamar esportivo e financeiro da instituição.

"Quando o Coritiba foi vendido, a ideia passada era de que o clube mudaria de patamar. Isso ficou muito claro para a torcida", disse.

Venda bilionária da SAF

A transformação do Coritiba em SAF foi concluída em junho de 2023, quando a Treecorp adquiriu 90% da sociedade por R$ 1,1 bilhão, com pagamentos previstos ao longo de dez anos. A associação manteve os outros 10% de participação.

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Entre os compromissos assumidos pelos investidores estavam a quitação das dívidas do clube, estimadas em cerca de R$ 270 milhões, a construção de um novo centro de treinamentos em Campina Grande do Sul com investimento previsto de R$ 100 milhões e a modernização do Estádio Couto Pereira, projeto que prevê cerca de R$ 500 milhões.

Apesar dessas previsões, Marianna afirma que o clube precisa de um debate mais profundo sobre o modelo adotado.

"O Coritiba merece muito mais. Precisa de um debate sério, com ideias e argumentos, e não de decisões tomadas sem diálogo", concluiu.

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