O Ministério Público de São Paulo ofereceu denúncia contra Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, pelo 'caso Nike'. A investigação da Polícia Civil sobre a suspeita de desvio de patrimônio havia sido arquivada no fim de maio. Procurado pela reportagem do Estadão, Mendonça, que já negou os crimes anteriormente, não respondeu até a publicação deste texto, que será atualizado ao sinal de resposta.
A Procuradoria acusa o vice-presidente corintiano dos crimes de apropriação indébita agravada e furto qualificado. A denúncia do promotor Cássio Roberto Conserino, à qual o Estadão teve acesso, tem como base uma auditoria interna, que apontou o "desaparecimento de 131 itens de materiais esportivos". Todos eram da Nike, fornecedora do Corinthians.
O documento também acusa Mendonça do crime de coação no curso do processo por supostas ameaças a testemunhas e diretores que investigavam as irregularidades. Recentemente, o vice-presidente obteve sucesso na Justiça de São Paulo com uma liminar que impedia o presidente em exercício do Conselho Deliberativo e também da Comissão de Ética e Disciplina do Corinthians, Leonardo Pantaleão, de conduzir os inquéritos internos.
A Promotoria solicita o afastamento cautelar de Mendonça de suas funções para evitar interferências na instrução criminal, incluindo até a proibição de contato com diretores. Também são apontadas falhas na governança administrativa do clube, mencionando milhões de reais em notas fiscais não contabilizadas. É pedido ainda o pagamento de indenizações por danos materiais e morais devido ao prejuízo causado à imagem da instituição.
Há também críticas ao inquérito policial. A Polícia Civil conduzia uma investigação sobre o caso por meio da Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (Drade), comandada pelo delegado Cesar Antonio Borges Saad.
"Sabe-se que o relatório da autoridade policial é descritivo e não conclusivo. Também se sabe que a eventual conclusão emanada em seu relatório, além de indevida, não vincula o Ministério Público e tampouco o Poder Judiciário. Dito isso, verifica-se que o relatório mostrou-se com o devido acatamento incompleto, pois não fez um só comentário sobre a auditoria juntada pelo Ministério Público e tampouco sobre o processo administrativo interno levado a efeito pela entidade desportiva que, cá entre nós, pouco influenciou na presente denúncia, mas é um elemento indiciário, especialmente porque trouxe depoimentos de almoxarifes importantíssimos para a verdade real dos fatos", escreveu Conserino.
A auditoria interna realizada do Corinthians identificou o "desaparecimento de 100 camisas, nove blusas, nove calças, seis pares de tênis, quatro shorts, duas malas e uma mochila. Todas as retiradas de materiais foram vinculadas diretamente a Armando Mendonça, que teria solicitado e liberado os materiais para uso próprio ou de terceiros.
As notas fiscais dos produtos não foram lançadas no sistema de gestão do clube. O valor contabilizado em 2024 foi de R$ 5,14 milhões. Já entre maio e setembro de 2025, R$ 1,07 milhão. O prejuízo total seria de R$ 6,21 milhões.
Também são citadas as retiradas de oito camisas de franquias da NFL, além de 19 pedidos semelhantes, mas que foram cancelados após os envolvidos perceberem a atuação dos auditores internos.