Ex-Corinthians revela detalhes da vida na Ucrânia: "Sirenes e abrigos"

Pedrinho, revelado pelo Corinthians, contou bastidores da vivência no futebol ucraniano em meio à guerra

17 set 2026 - 23h19
(atualizado às 23h37)
Resumo
O atacante Pedrinho, ex-Corinthians e atual jogador do Shakhtar Donetsk, revelou os desafios da rotina sob a guerra na Ucrânia. O atleta destacou a tensão constante com sirenes de ataques e idas a abrigos, ressaltando o esforço para manter a força mental longe da família. Além do impacto psicológico, Pedrinho apontou o desgaste logístico sofrido pelo time, que não possui estádio fixo para atuar devido aos conflitos, resultando em frequentes e cansativas viagens para cumprir o calendário de jogos.
Pedrinho, do Shakhtar Donetsk, foi revelado pelo Corinthians – Divulgação/Shakhtar
Pedrinho, do Shakhtar Donetsk, foi revelado pelo Corinthians – Divulgação/Shakhtar
Foto: Jogada10

O futebol ucraniano, desde o início deste século, tem sido um local que costuma abraçar os jogadores brasileiros. Nem mesmo o conflito entre Rússia e Ucrânia, que assusta os habitantes da região desde 2022 de uma forma mais recorrente, cessou a ida de atletas brasileiros para o país. E um destes nomes é o atacante Pedrinho, revelado pelo Corinthians, e que atua pelo Shakhtar Donetsk desde 2021.

Em entrevista ao site 'GOAL', o ex-Corinthians detalhou alguns bastidores do dia a dia de um jogador que vive na Ucrânia. Pedrinho citou a forma com que lidam com os momentos de tensão, bombardeios e ataques russos.

Publicidade

"Maior desafio é manter-se mentalmente forte"

"Não é fácil. Muitos jogadores estão longe das suas famílias e acabam por passar por situações difíceis, com as sirenes (de ataque de mísseis) e tendo de se refugiar em abrigos, apenas para acordarem no dia seguinte e voltarem a viver as suas vidas da forma mais normal possível. As viagens a que o clube tem de se submeter devido ao seu deslocamento, que já dura há muitos anos, também são incrivelmente desgastantes para os jogadores", disse o jogador, que completou:

"O maior desafio é manter-se mentalmente forte. Quando se vem para cá, já se sabe a situação em que se vai meter, mas, no início, isso ainda nos afeta mentalmente. É por isso que tentamos apoiar os jogadores mais jovens. Dizemos que isso vai passar e rezamos para que acabe o mais depressa possível", destacou.

Pedrinho, do Shakhtar Donetsk, foi revelado pelo Corinthians – Divulgação/Shakhtar
Foto: Jogada10

Sem estádio

Exatamente por conta do conflito entre os países, o Shakhtar Donetsk está impedido de jogar em casa, na Dombass Arena, desde 2014. No campeonato local, o Shakhtar manda suas partidas em Kiev, enquanto os jogos europeus, nesta temporada, terão o Stamford Bridge, em Londres, como casa. Pedrinho, portanto, detalhou os transtornos vividos por não ter "uma casa" para jogar.

"Mudou muito, especialmente no que diz respeito à logística. Eu vivia em Kiev com toda a minha família e jogávamos sempre os nossos jogos em casa lá. Tínhamos o nosso próprio estádio em Kiev, um estádio de primeira classe onde também disputávamos os nossos jogos de Champions. Isso já não é possível. Agora jogamos sempre fora de casa e não temos um estádio fixo. Isso tem um impacto enorme, porque muitas vezes chegamos aos jogos mais cansados depois de passarmos tantas horas a viajar. No início, no que diz respeito ao alojamento, nunca tivemos realmente um local fixo para ficar. Passávamos um mês em Kiev, depois um mês em Lviv. Hoje em dia, o clube tenta manter-nos em Lviv, o que é melhor para nós", resumiu.

Publicidade

Siga nosso conteúdo nas redes sociais: Bluesky, Threads,  TwitterInstagram e Facebook.

Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se