O Corinthians colocou na conta uma dor de cabeça que vem de longe e pode custar caro. Em meio ao processo de centralização de execuções, o clube listou uma disputa judicial envolvendo música e publicidade como uma perda financeira quase certa. Trata-se de um embate que envolve a Warner/Chappell Music e a família de Tim Maia.
O valor que consta nos papéis enviados à Justiça é o que mais chama atenção: R$ 9.943.396,28. Internamente, o clube considera a quantia como "perda provável" e já trabalha com a possibilidade concreta de pagamento.
A história se arrasta desde 2017, quando a gravadora e o espólio do cantor entraram com ação por causa do uso de uma melodia inspirada em "Não quero dinheiro (só quero amar)". A adaptação apareceu nas arquibancadas alvinegras em campanhas ligadas sobretudo ao Mundial de Clubes de 2012.
Vídeos na TV e nas redes sociais exibiam a letra adaptada ao Corinthians, que também contou com a produção de camisas personalizadas para os jogadores à época. As ações ampliaram o alcance comercial da campanha.
O que diz o Corinthians?
O clube argumentou que a canção surgiu da arquibancada e que se trata de uma paráfrase, ou seja, dispensaria autorização. Quanto aos materiais, alegou que parte da ação teve produção da TV Globo — embora a Justiça não tenha acatado tais explicações.
A juíza Maria Honório avaliou que o Alvinegro usou exatamente o trecho mais popular da música e apontou exploração econômica da obra. Citando, inclusive, a estampa da letra em material esportivo.
Depois da decisão favorável no processo original, a Warner voltou à Justiça em 2023 para definir o valor da indenização. A cobrança atual se aproxima dos R$ 10 milhões, e o caso segue sob sigilo.
O Corinthians tenta reduzir o impacto e cita um cálculo pericial que aponta indenização de pouco mais de R$ 4 milhões. Ainda assim, a diretoria trata o prejuízo como provável, e o diretor financeiro Emerson Piovesan confirmou essa avaliação à ESPN.
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