Cássio revela depressão na saída do Corinthians: "Busquei ajuda"

Atualmente no Cruzeiro, goleiro desabafa sobre crise de saúde mental vivida em 2024 e afasta teses sobre reserva ou salário

3 out 2026 - 00h06
(atualizado às 00h06)
Resumo
Em entrevista ao "Charla Podcast", o goleiro Cássio revelou que sua saída do Corinthians rumo ao Cruzeiro foi motivada por um quadro grave de depressão, e não por fatores financeiros ou técnicos. O atleta explicou que a forte autocobrança e a má fase do time minaram suas forças, levando-o a buscar tratamento psiquiátrico e recusar a renovação de contrato por mais dois anos oferecida pelo clube paulista, priorizando sua saúde mental após 12 anos e títulos históricos pela equipe alvinegra.
Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians - Legenda: Cássio fez história no Corinthians antes de se transferir para o Cruzeiro / Jogada10

O goleiro Cássio revelou, em entrevista ao "Charla Podcast", que enfrentou um quadro grave de depressão antes de deixar o Corinthians para defender o Cruzeiro. A decisão de encerrar o ciclo no futebol paulista não teve relação com reserva técnica ou questões financeiras, mas com a perda de forças para exercer a profissão e a urgência de acompanhamento psiquiátrico.

"As pessoas falavam que eu saí pela porta dos fundos. Eu estava em depressão quando saí do Corinthians. Tive que buscar ajuda, ir ao psiquiatra, tomar remédios. As pessoas não entendem, falam de salário. Eu pensava, conversava com minha esposa, não estava conseguindo jogar no Corinthians, sempre sonhei. Não é que você não queira, você não tem forças. Tive que fazer terapia, ir ao psiquiatra. Dinheiro é importante, claro, mas há situações na vida em que o dinheiro não é relevante", explicou durante a conversa.

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Corinthians tentou renovar contrato de Cássio

Cássio e a diretoria do Corinthians chegaram a discutir uma extensão de vínculo por mais duas temporadas, oferecida pelo então presidente Augusto Melo. Contudo, o atleta recusou a proposta da diretoria porque sentia o peso emocional da má fase da equipe em campo e admitia não conseguir mais render o esperado.

"Antes de sair do Corinthians tive um baque. Não consegui administrar, o time não estava bem. Meu caso é diferente, estava há 12 anos no clube, diferente de atuar em vários clubes. Pesou um pouco. Eu me cobrava muito. Você entra nessa ideia depressiva, cobrança, o Corinthians me proporcionou muitas coisas. Até hoje penso em algumas coisas. Eu não estaria agregando. Me sentia mal, me pagavam em dia, e eu não conseguia colaborar. Quando chegou a proposta do Cruzeiro, me ofereceram contrato por dois anos. Augusto Melo era o presidente e deixava claro que queria eu lá. Conversamos muito, mas eu não conseguia. O Corinthians foi muito honesto, falei que não estava conseguindo ajudar. Eu precisava sair", relatou o jogador.

Anteriormente, Cássio ergueu os troféus mais importantes da história alvinegra, incluindo o Mundial de Clubes e a Conmebol Libertadores. Além disso, destacou a relação sadia com o jovem Otávio, sem espaço para vaidades na disputa pela titularidade no Cruzeiro. Desse modo, a convivência diária na Toca da Raposa prioriza o crescimento coletivo do elenco celeste.

Portanto, o relato sincero de Cássio, sem dúvida, serve de alerta para o debate sobre saúde mental no esporte de alto rendimento. Afinal, a superação da crise abriu espaço para uma nova fase na carreira, longe da pressão desmedida e com foco no bem-estar pessoal.

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