Os leitores do The New York Times podem ter estranhado a publicação de um obituário de Mané Garrincha, que morreu em 20 de janeiro de 1983. A publicação do material 43 anos após a morte da lenda do futebol brasileiro, porém, não foi por acaso.
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O conteúdo faz parte da série Overlooked No More, que publica obituários de pessoas notáveis que não tiveram suas mortes, a partir de 1851, noticiadas pelo jornal americano. Nomes do esporte, música, literatura e outras áreas já foram homenageadas.
Logo de início, o texto exalta as superações da vida de Garrincha até chegar ao futebol profissional. “Nasceu com um corpo que parecia inadequado para o futebol. Sua perna esquerda estava arqueada para fora; a direita, mais comprida em mais de dois centímetros, curvava-se para dentro”, diz trecho da matéria assinada pelo jornalista Jeré Longman.
O obituário segue para os feitos do ídolo brasileiro dentro de campo, com participação fundamental nos títulos das Copas do Mundo de 1958 e 1962.
“Garrincha demonstrava uma magia tão fascinante que alguns especialistas, ainda hoje, o consideram inigualável no drible. Ele tinha um equilíbrio primoroso, uma arrancada fulminante, a percepção de finta de um boxeador e uma mudança de direção rápida e imprevisível”, escreveu.
O material, porém, também destaca as polêmicas da vida de Garrincha. A luta contra o alcoolismo e o relacionamento com a cantora Elza Soares foram mencionados.
“Em 1969, dirigindo supostamente embriagado e sem faróis no escuro, Garrincha sofreu um acidente que matou sua sogra, que estava no banco do passageiro. Soares deixou Garrincha em 1977 depois que ele a agrediu com socos e chutes. Eles se divorciaram posteriormente”, destacou o texto.