A badalada "geração 1992", que serviu à Seleção Brasileira nos últimos 15 anos, se aproxima do adeus e marca um período que foi da alta esperança pelo hexa à decepção com os resultados. Campeões sul-americanos e mundiais sub-20 em 2011, Neymar, Coutinho (sem clube), Oscar (aposentado), Danilo (nascido em 91), Casemiro e companhia tinham tudo para ajudar o Brasil a ser protagonista no futebol mundial e levar ao menos uma Copa. Mas não conseguiram.
O grupo de jogadores não deve ter mais espaço no próximo ciclo. A renovação, afinal, é uma das necessidades do trabalho de Carlo Ancelotti. Do Mundial de 2022 para este de 2026, a Seleção repetiu 15 nomes e o fracasso foi ainda mais duro, com a queda nas oitavas de final, o que não acontecia desde 1990. Com isso, o Brasil chega ao jejum recorde em sua história de seis Copas consecutivas sem títulos.
O único da geração que ainda não deve anunciar sua despedida é Alisson, que ficou fora do título mundial de base mais por questões contratuais do que técnicas. Afinal, a posição sofre com um problema de entresafra, e os goleiros costumam ter longevidade maior. Ou seja, é possível que o titular do Liverpool chegue à sua quarta Copa, aos 38 anos.
Outros craques pelo caminho
Entre 2013 e 2o18, as promessas nascidas em 1991 e 1992 chegaram a colocar mais de dez nomes em múltiplas convocações e emplacaram quatro titulares na Copa da Rússia e cinco no Catar, algo sem precedentes na Seleção. Além do quinteto citado, jogadores como Alex Sandro, Alex Telles, Allan, Dudu, Bernard e Lucas Moura também tiveram brilho, mas não repetiram o sucesso dos clubes com a amarelinha a nível de conquistas.
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Tantos outros campeões em 2011, sob o comando de Ney Franco, ou que fizeram parte do ciclo e da mesma geração, jamais estiveram no radar dos técnicos do Brasil ou já até se aposentaram, após anos de insucessos e falta de chances na elite. A maioria caiu no esquecimento do torcedor.
Para se ter uma ideia do domínio daquele time, a final do Sul-Americano de 2011 foi 6 a 0 sobre o Uruguai, com três gols de Oscar, dois de Neymar e um de Danilo, lateral-direito titular desta última Copa. Já no Mundial, a vítima da decisão foi Portugal, por 3 a 2 (Oscar marcou três vezes novamente).
Mais promessas da geração de ouro 91/92:
Luis Guilherme (goleiro) - não se firmou no Botafogo, onde foi revelado, passou por clubes menores e encerrou a carreira precocemente para investir na psicologia.
César (goleiro) - jogou 71 vezes pelo Flamengo, mas quase sempre foi reserva e acumulou falhas. Depois de rodar sem brilho, hoje, aos 34, defende o Deportes Concepción, do Chile.
Bruno Uvni (zagueiro) - era capitão nas seleções de base, inclusive no Mundial sub-20, e construiu grande parte da carreira no Oriente Médio e Japão. Foi reserva de Grêmio e Vitória nos últimos anos.
Juan Jesus (zagueiro) - fez seu nome na Itália, alterando entre reserva e titular em clubes como Inter de Milão, Roma e Napoli, com o qual ainda tem contrato.
Gerson (zagueiro) - foi capitão no sub-17, mas nunca confirmou o potencial. Rodou por clubes pequenos do Brasil e em mercados alternativos do exterior, como Índia e Tanzânia, até se aposentar.
Romário Leiria (zagueiro) - grande esperança na base do Inter, não se firmou no profissional. Parou de jogar antes dos 30, no interior de Santa Catarina.
Rafael Galhardo (lateral) - surgiu no Flamengo, passou por Santos, Grêmio e Vasco, mas sempre sob críticas. Há quatro temporadas joga na Tailândia.
Dodô (lateral) - conquistou uma carreira de respeito, ainda que não tenha dado certo na Itália. Seu último clube foi o Santos, em 2024. Chegou a ser convocado por Dunga após a Copa de 2014, mas não teve sequência.
Fernando (volante) - jogou por muitos anos na Ucrânia e na Rússia e ganhou fama com o caso do motorista preso por transportar um remédio de Fernando que era ilegal no país. Na época, defendia o Spartak Moscou.
Zezinho (meia-atacante) - falava-se que era melhor que Neymar no sub-17, mas não vingou e hoje ganha uma grana no futebol amador.
Wellington Silva (atacante) - revelado pelo Fluminense, rodou em clubes menores da Europa e depois da Ásia. Ainda está em atividade no futebol chinês.
Wellington Nem (atacante) - mais uma cria de Xerém, teve destaque no Tricolor e no Shakhtar, mas nunca chegou à Seleção depois do Mundial sub-20. Aos 34 anos, seu último bom momento foi no Vitória, em 2023.
Willen (atacante) - surgiu no Vasco junto com Philippe Coutinho, mas nunca confirmou o hype e se tornou um andarilho da bola. Jogou a Segundona da Tailândia recentemente.
Henrique Almeida (atacante) - foi eleito o melhor jogador do Mundial sub-20 de 2011 e viveu de fazer seus gols nas Séries A e B, sem tanto brilho e constantemente mudando de camisa. Hoje, defende o Gama, da Série D.
Willian José (atacante) - um dos poucos da lista que teve muito sucesso no exterior. Foi titular da Real Sociedad na Espanha por vários anos e hoje é um dos artilheiros do Bahia.
João Pedro Galvão (atacante) - também conquistou uma carreira bastante decente na Europa, principalmente no Cagliari, da Itália, onde fez quase 100 gols. Chegou a ser repatriado pelo Grêmio, mas atualmente está no futebol mexicano.
Negueba (atacante) - apareceu com destaque no Flamengo, mas logo sumiu dos holofotes. Foi tentar a sorte na Coreia e, posteriormente, na Tailândia, destino de vários desta lista.
"Geração 97" perde espaço
Não demorou muito para surgir outra geração com nível semelhante de badalação. No entanto, os nascidos em 1997 também não vem tendo sucesso com a amarelinha, em termos de resultados. Por sinal, quase todos ficaram fora da Copa de 2026, após participarem do ciclo e, alguns, até de Mundiais anteriores.
Os principais nomes são os seguintes: Guilherme Arana, Gerson, Richarlison, Gabriel Jesus, David Neres, Malcolm e Pedro, artilheiro do atual Brasileirão pelo Flamengo. O único a ter sequência com a Seleção de Carlo Ancelotti foi o meia Lucas Paquetá.
Porém, esse grupo de jogadores terá 32 a 33 anos na próxima Copa e pode recuperar o tempo perdido neste ciclo que tem início com os amistosos contra a Austrália, em setembro. As Eliminatórias começam em 2027 e o Brasil ainda disputa a Copa América em 2028.
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