Copa do Mundo. Dias 6 e 7. Disneylândia e o perrengue chique

Cleveland surpreende contribuinte como ótima opção para os amantes da boa música. Mas a chegada a Ohio foi tensa. Saiba mais detalhes!

8 jun 2026 - 12h52
(atualizado às 12h55)
Prato cheio para quem gosta de cartazes –
Prato cheio para quem gosta de cartazes –
Foto: Léo Pereira/Jogada 10 / Jogada10

Os turi$tas brasileiros que chegam aos Estados Unidos procuram sempre os mesmos destinos: a ensolarada Flórida por conta dos parques temáticos e Nova York pela chance do glamour. A Califórnia deve aparecer na terceira posição, pois, como demanda mais algumas horas de voo, não é tão popular. Já Las Vegas é o paraíso para quem pode desperdiçar dinheiro. Para surpresa geral, Cleveland, onde a Seleção Brasileira venceu o Egito por 2 a 1, também conta com a sua Disneylandia ou Disney World, se o amigo(a) (per)seguidor(a) se refere à atração turística de Orlando.

Próximo ao Huntington Bank Field, onde o Brasil enfrentou os norte-africanos, está o Rock and Roll Hall of Fame. O espaço é dedicado a quase todas as subdivisões: classic, hard, punk, glam, progressivo, southern, pop, new wave, grunge, metal… Faltou, porém, uma abordagem maior para o indie. O estilo que teve o auge no início do século foi relegado pela curadoria. O museu também destaca outros estilos musicais que dialogam e onde o rock já bebeu algumas vezes, como blues, jazz, soul, gospel e hip-hop. Para tecer as observações, a equipe de reportagem do Jogada10 esteve lá durante a tão esperada folga após uma semana que durou 50 dias.

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Cleveland não tem uma cena tão forte quanto Chicago, Nova York ou São Francisco. O Nine Inch Nails, por exemplo, é um dos poucos expoentes que alcançaram as rádios norte-americanas. Sendo assim, os próprios locais reconheceram a dificuldade em mencionar artistas de Ohio. No entanto, o museu é parada obrigatória e lugar onde o amante da boa música pode passar a tarde inteira. No subsolo, onde começa a visita, o público é agraciado com vídeos, cartazes das tournês, adornos,, instrumentos e, sobretudo, as indumentárias. O museu, assim, também é um prato cheio para quem curte moda e comportamento.

Prato cheio para quem gosta de cartazes –
Foto: Léo Pereira/Jogada 10 / Jogada10

Nos demais andares do Rock and Roll Hall of Fame, rola uma interação maior com o público. Afinal, o contribuinte pode arriscar alguns acordes das guitarras, baixos, baterias e teclados que estão à disposição. Basta, obviamente, saber tocar e não perder o tom. Há, aliás, a chance de reunir uma rapaziada e fazer um som. Pode ser cover ou uma jam session. A visita termina em uma loja com um belo acervo em vinil.

Sextou em grande estilo

O J10 enfrentou mais dez horas para, enfim, desembarcar em Cleveland, na manhã do último sábado (6). E a viagem, ao contrário do esperado, foi um verdadeiro pesadelo. O veículo chegou com atraso de quase uma hora no terminal de Newark, onde o clima já estava tenso, com policiais se desentendendo com populares. O cronista, no entanto, aguardava o ônibus com muita expectativa, na esperança de inclinar a sua poltrona e dormir lindamente durante a madrugada, algo que esteve muito longe de acontecer.

"Você não sabe o que está fazendo", alertou o professor particular de Inglês.

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Minimizei o alerta por conta de boas experiências anteriores: de Washington para a Filadélfia e de Boston para Nova York, em dezembro e março, respectivamente. Havia razão de sobra para defender os deslocamentos por via terrestre na Terra do Tio Sam.

Cronista sobrevive a tensões, e J10 completa sua jornada antropológica a Cleveland –
Foto: Léo Pereira/Jogada 10 / Jogada10

O perregue chique começou com o motorista, um chinês desequilibrado que não conseguia formar sequer uma frase em inglês. Ele berrava com os passageiros, apontando para o QR code das passagens, como se estivesse cheio de razão e realizando um favor para aquelas pobres almas que sofreriam em suas mãos, de Nova Jersey a Ohio. O imprudente chauffeur arrancou enquanto um cego ainda procurava o seu lugar naquela espelunca!

Dentro do ônibus, uma senhora não parava de falar nos ouvidos da reportagem do Jogada10. Ela murmurava o tempo todo, sem dormir. Meu companheiro de viagem parecia próximo a uma síncope. Para piorar, as poltronas não reclinavam como nos leitos e semileitos aos quais estamos acostumados no Brasil.

Deus, porém, em um momento de misericórdia, cancelou o ônibus de volta para Nova Jersey, obrigando o J10 a comprar um bilhete de avião. E não é que a reportagem viajou na primeira classe e foi tratada a pão de ló pelas comissárias da United Airlines? Os humilhados sempre serão, portanto, exaltados.

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*Esta coluna não reflete, necessariamente, a opinião do Jogada10.

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