Crise no Botafogo está longe de acabar; entenda

Dirigentes do clube social buscam acesso a dados da gestão da SAF por meio da Justiça

25 mar 2026 - 12h33
(atualizado às 13h03)
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Foto: Esporte News Mundo

O conflito entre a Botafogo de Futebol e Regatas associativo e a SAF do clube ganhou um novo desdobramento e deve avançar para o campo jurídico.

Em meio a uma relação já desgastada, dirigentes do clube social articulam o ingresso de uma ação na Justiça com o objetivo de obter acesso a informações detalhadas sobre a gestão da Sociedade Anônima do Futebol.

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Nos bastidores, há a percepção de falta de transparência por parte da SAF, além de questionamentos sobre o cumprimento de cláusulas contratuais relacionadas à aquisição do clube-empresa pelo empresário John Textor.

Não é a primeira vez que o associativo busca esclarecimentos: segundo apuração do portal ge, já foram encaminhadas três notificações solicitando a apresentação de documentos e registros de operações, com ênfase nas movimentações financeiras.

Pelo Acordo de Acionistas, o clube associativo — que mantém 10% das ações da SAF — possui atribuição fiscalizadora. Nesse contexto, uma das solicitações recentes ocorreu durante a negociação de um empréstimo destinado à quitação da dívida envolvendo o meia Thiago Almada, situação que resultou em um transfer ban.

À época, Textor participou diretamente de reuniões com o banco BTG Pactual para detalhar a origem dos recursos, além de apresentar a estrutura jurídica da operação e os envolvidos nos fundos. O clube social, por sua vez, contratou a instituição para atuar como consultora no processo.

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Outro ponto de divergência diz respeito à conclusão da venda da SAF. Parte dos conselheiros do associativo entende que o acordo não foi integralmente cumprido. O contrato previa um investimento de R$ 400 milhões, mas pouco mais de R$ 100 milhões teriam sido direcionados ao Olympique Lyonnais, que também integra a rede multiclubes ligada a Textor.

Diante desse cenário, integrantes do associativo levantam suspeitas sobre a condução da operação, avaliando que os recursos não teriam sido efetivamente aplicados no clube carioca. Em resposta, a SAF do Botafogo informou, por meio de nota oficial, que o Lyon repassou valores superiores ao montante mencionado e que a totalidade do investimento previsto foi antecipada, tendo sido depositada desde maio de 2024, antes do prazo estipulado.

A tensão entre as partes se intensifica e representa mais um capítulo de uma relação já fragilizada desde o episódio envolvendo o transfer ban. Internamente, qualquer movimento para tentar afastar Textor do comando é tratado com cautela, especialmente diante de disputas judiciais em andamento entre o empresário, a holding Eagle Football e a Ares Management, principal credora do grupo.

Paralelamente, o caso também deverá ser analisado no âmbito arbitral. Após solicitação da Eagle, representada por advogados ligados à Ares, e com concordância da SAF, ficou definido que o impasse será levado à arbitragem conduzida pela Fundação Getulio Vargas.

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O mecanismo, reconhecido por sua autonomia, tem poder para proferir decisões com efeitos jurídicos e é utilizado como alternativa à Justiça comum na resolução de conflitos.

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