Morreu na segunda-feira (4), aos 100 anos, Hermano 'Nano' da Silva Ramos, segundo brasileiro a pilotar em Le Mans. Além da trajetória no Endurance, Nano foi o terceiro piloto brasileiro a pilotar um carro de Fórmula 1, com seu principal resultado sendo um quinto lugar no GP de Mônaco de 1956, o que consolidou como o melhor resultado de um piloto brasileiro na categoria por muitos anos.
Nascido na França e criado no Brasil, Nano teve destaque principal na carreira em carros esportivos, especialmente com a Aston Martin, antes de se tornar o segundo brasileiro a disputar as 24 Horas de Le Mans, em 1954. Ao todo, participou quatro vezes da prova, competindo também em 1955, 1956 e 1959, período em que correu por equipes como a Gordini e utilizou carros icônicos como o Ferrari 250 TR, sendo o primeiro brasileiro a pilotar uma Ferrari no circuito de La Sarthe.
Embora não tenha alcançado resultados expressivos em termos de classificação final, sua presença teve grande importância histórica, já que abriu caminho para a participação de outros brasileiros em uma das corridas mais tradicionais e exigentes do automobilismo mundial. Além de Le Mans, Nano também competiu em provas como a Mille Miglia e o Tour de France Automobile, consolidando sua reputação como um grande piloto de provas de endurance.
Em 1957, seu amigo pessoal Alfonso de Portago faleceu durante as Mille Miglia. O acidente marcou o fim da prova, que nunca mais voltou a ser realizada. Ele era muito amigo do brasileiro, e isso o fez pensar em diminuir o ritmo; mesmo assim, continuou sua carreira até 1960, quando disputou uma corrida no Rio de Janeiro e ficou em 2º lugar. Aos 35 anos, resolveu viver na cidade de Biarritz, na França, que se tornou sua moradia até sua morte.