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Incapaz de seguir nível de Gasly, AlphaTauri desaba na estratégia e fica para trás

Não tem como não colocar Pierre Gasly entre, pelo menos, os cinco melhores pilotos da Fórmula 1 desde 2020, mas o mesmo não pode ser dito da AlphaTauri. Ainda que esteja viva na briga pelo top-5 com a Alpine, a equipe depende totalmente do talento do francês e, além de não ajudar, ainda tem atrapalhado com estratégias atabalhoadas

29 nov 2021 04h00
| atualizado às 08h51
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Pierre Gasly não soube explicar resultado abaixo do esperado da AlphaTauri no Catar
Foto: AlphaTauri / Grande Prêmio

Pierre Gasly faz uma grande temporada 2021 da Fórmula 1 com a AlphaTauri, mas poderia estar em situação ainda melhor no campeonato. É que o francês, que tão pouco erra e tanto tira de um carro não mais do que mediano, tem sido deixado na mão pelo time quando o assunto é estratégia. O que Gasly dá, a AlphaTauri tem tirado.

E olha que o casamento era um dos mais bem vistos na F1 nem tem muito tempo. Em 2020, por exemplo, parecia aquela coisa de um piloto emergente e com grande margem de crescimento ao lado de uma equipe igualmente promissora, afinal, é o time B da Red Bull, compartilha algumas coisas com os austríacos. O panorama já não é mais esse, é como se Gasly estivesse ficando muito grande para o tamanho da AlphaTauri.

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Se antes era promissor com promissora, agora é realidade x meio de pelotão. A AlphaTauri pode até crescer, mas absolutamente nada indica que os italianos vão furar o bloqueio do meio do grid, sequer que vão superar a Alpine pelo quinto lugar. Gasly, por outro lado, já rompeu a barreira dos melhores da categoria e, equipamento à parte, tem tido performances dignas de Lewis Hamilton, Max Verstappen ou concorrentes mais próximos como Lando Norris e Carlos Sainz.

Pierre Gasly subiu ao pódio do insano GP do Azerbaijão de F1, mas merecia mais (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

A verdade é que Pierre tem carregado a equipe nas costas. Com um aproveitamento que supera os 80% em idas ao Q3 e pontuando em 13 das 20 provas do ano até agora, Gasly nitidamente tira mais do que o carro pode oferecer, frequentemente ficando na frente das Alpine e das Aston Martin, chegando a se meter, constantemente, no meio das McLaren e das Ferrari, que brigam pelo top-3 de 2021.

E a responsabilidade aumentou para o francês na atual temporada. Por mais que Daniil Kvyat não estivesse bem, trocar o russo por um novato fez a AlphaTauri colocar ainda mais pressão em cima dos resultados de Gasly, que vem respondendo extremamente bem. O novato em questão, no entanto, não está. Yuki Tsunoda tem só 20 pontos, 72 a menos que Pierre, uma surra.

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Não seria a primeira e nem a última vez que veríamos um piloto carregando uma equipe, isso, de fato, é o de menos. O grande ponto é que a AlphaTauri não só não ajuda Gasly, como tem atrapalhado. Mais do que o carro em si, o time tem falhado repetidas vezes na tática, com chamadas estranhas de pit-stops e com problemas também na própria operação dos mecânicos.

Pierre Gasly vai para mais um ano na AlphaTauri em 2022 (Foto: Red Bull Content Pool)

O que aconteceu no GP do Catar, por exemplo, foi de doer. Inexplicavelmente, com um ritmo muito próximo em classificação aos de Red Bull e Mercedes, a AlphaTauri abriu mão de largar de pneus médios e calçou Gasly no Q2 de Losail de pneus macios. Não deu outra: só andaram para trás na corrida. E ainda pararam muito cedo, usaram pneus errados na corrida, não tinham médios novos, enfim, uma patacoada daquelas para ficar na memória. Pierre saiu de segundo no grid, com punições de Verstappen e Valtteri Bottas, para 11º. Sem ter culpa alguma.

Corridas assim reforçam a ideia de que Gasly já ficou muito grande para a AlphaTauri, mas a questão é: vai fazer o que da vida? Por incrível que pareça, o ideal ainda tende a ser ficar com o time, aguentar mais um ou dois campeonatos e aí, sim, tentar uma vaga em um time maior, quando o mercado destravar, quando oportunidades verdadeiramente melhores surgirem.

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Isso porque de nada adianta trocar a AlphaTauri pela Alpine, por exemplo, ou pela Alfa Romeo. O negócio ali teria de ser de McLaren para cima e, numa dessas, Pierre pode vislumbrar a vaga de Daniel Ricciardo ou contar com uma provável aposentadoria de Hamilton nos próximos anos. Não parece mais impossível ver o francês em um time de ponta, convenhamos.

Pierre Gasly na Red Bull de novo? Difícil… (Foto: Red Bull Content Pool)

Só não vai ser na Red Bull e isso parece cada vez mais claro. Gasly merecia uma nova chance por lá? Certamente. Tiveram pouca paciência com ele na primeira passagem? Também é verdade. Mas o cenário não é animador, Verstappen é presente e futuro do time, Sergio Pérez cumpre bem o papel no conjunto e como segundo piloto, então, resta a Pierre seguir a vida. Por enquanto, então, é engolir seco as frustrações atuais e continuar firme com a AlphaTauri.

O presente pode não ser a coisa mais linda do mundo, mas o futuro de Gasly, certamente, está bem desenhado. De contrato já renovado por mais um ano, resta ter paciência e manter a pegada dos dois últimos campeonatos.

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