A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) pretende ampliar o uso da inteligência artificial no desenvolvimento das regras aerodinâmicas da Fórmula 1. A iniciativa faz parte de uma nova parceria com a Amazon Web Services (AWS), que fornecerá tecnologias para aprimorar simulações, modernizar sistemas de licenciamento e otimizar os processos internos da entidade.
A AWS será a parceira oficial da FIA em inteligência artificial, computação em nuvem, aprendizado de máquina e infraestrutura digital. O objetivo é tornar o desenvolvimento dos regulamentos mais eficiente, com ferramentas capazes de acelerar análises técnicas e oferecer resultados mais precisos.
Um dos principais focos da colaboração será o aprimoramento da dinâmica dos fluidos computacional (CFD), tecnologia utilizada para simular o comportamento do ar ao redor dos carros. Com equipamentos mais modernos e recursos de IA, a FIA espera realizar testes mais rápidos e detalhados, além de utilizar os sistemas para verificar os próprios regulamentos. Neste primeiro momento, a inteligência artificial generativa não será empregada para sugerir conceitos de design, já que a prioridade é auxiliar o trabalho dos engenheiros, sem substituir a atuação humana.
A estrutura da AWS também será integrada ao túnel de vento virtual da FIA, permitindo desenvolver modelos de carros para avaliar aspectos como a perda de carga aerodinâmica ao seguir outro competidor. Essas simulações ajudam a entidade a entender se as regras técnicas estão favorecendo as condições de disputa desejadas. O processo envolve a criação de modelos digitais tridimensionais das peças, enquanto o fluxo de ar ao redor do veículo é dividido em milhões de pequenas células para a realização dos cálculos. Posteriormente, os dados são convertidos em mapas de pressão, representações visuais do fluxo de ar e medições de forças aerodinâmicas.
Dominic Harlow, vice-diretor técnico da FIA para a Fórmula 1, explicou que a parceria permitirá combinar os métodos tradicionais de simulação com novas ferramentas de inteligência artificial. Segundo ele, o trabalho atual utiliza a infraestrutura da AWS para executar cálculos de CFD com o software de código aberto OpenFOAM e diferentes ferramentas de processamento dos resultados.
O vice-diretor acrescentou que a IA também poderá facilitar a interpretação e a manipulação dos dados obtidos nas simulações. Uma das possibilidades é treinar modelos alternativos com informações já coletadas, permitindo estimar resultados sem precisar repetir todos os cálculos complexos. A expectativa é aumentar a produtividade do processo, reduzir o tempo de computação e de engenharia, diminuir o consumo de energia e principalmente cortar custos.