O recente duplo abandono da nova equipe Cadillac no Grande Prêmio da Áustria de Fórmula 1 acendeu um sinal de alerta sobre as fragilidades técnicas de seus carros. Ambos os pilotos sofreram com o superaquecimento dos freios. Para o especialista Gary Anderson, em uma análise publicada no portal The Race, esse fracasso reflete um erro na balança entre refrigeração e desempenho aerodinâmico.
Anderson explicou que os freios de um Fórmula 1 operam em uma janela térmica que varia entre 300 e mil graus centígrados. Assumindo que o material dos discos e pastilhas seja adequado, a falha geralmente reside no gerenciamento do resfriamento. No caso da Cadillac, os dutos frontais parecem pequenos demais para pistas que exigem muito dos freios, como Montreal e o Red Bull Ring.
As equipes sempre tentam minimizar o resfriamento dos freios porque os dutos ficam em uma área sensível e podem interferir negativamente na aerodinâmica. No entanto, Anderson avalia que, para uma equipe estreante, essa escolha representa um risco incorreto. A prioridade deveria ser terminar as corridas para acumular aprendizado, e não buscar um ganho aerodinâmico minúsculo e acabar fritando os componentes.
Outro fator técnico crítico levantado por Anderson envolve a diferença de pressão no duto. Se a entrada não tiver pressão alta o suficiente ou a saída não estiver em uma área de pressão negativa, ocorre um fluxo reverso. Quando isso acontece, o sistema que deveria resfriar deixa de funcionar. Isso justifica a surpresa de ver Valtteri Bottas sofrer um incêndio nos freios logo na primeira volta, quando estava com o tanque cheio e deveria frear metros antes para estabilizar o carro.
A equipe já havia tentado realizar ações para melhorar essa refrigeração, o que indica que não se trata de um problema exclusivo da Áustria. A solução apontada por Gary Anderson é que a Cadillac pare de forçar tanto o limite aerodinâmico, garantindo um fluxo de massa adequado pelos dutos para finalmente conseguir terminar as provas.