F1 2026: Red Bull nega ter copiado Ferrari e explica origem da nova asa móvel

Pierre Waché revela que o conceito no RB22 nasceu no fim de 2025 e sofreu atrasos devido à complexidade do sistema

5 mai 2026 - 07h34
Foto: Lubomir Asenov / Red Bull Content Pool

A introdução de uma asa traseira no estilo "macarena" no Red Bull RB22, durante o Grande Prémio de Miami, levantou suspeitas no paddock de que a equipa austríaca teria copiado o conceito estreado pela rival Ferrari. Contudo, Pierre Waché, diretor técnico da formação de Milton Keynes, veio a público desmentir os rumores de cópia, revelando que a solução já estava sendo desenvolvida desde novembro de 2025, tendo sofrido apenas percalços técnicos imprevistos que adiaram a sua estreia nas pistas para a quarta etapa do campeonato de 2026.

O inovador elemento aerodinâmico já tinha sido avistado durante um filming day realizado pela Red Bull no circuito de Silverstone, no final de abril, através de uma fotografia que rapidamente circulou nas redes sociais. A solução apresentada no RB22 se mostrou ainda mais extrema do que a adotada pela Ferrari, cuja versão final também se estreou na corrida da Florida, após a equipe de Maranello ter dado os primeiros vislumbres do seu conceito logo nos testes de pré-temporada no Bahrein.

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Foi precisamente a exibição precoce do conceito por parte da Scuderia que alimentou as teorias de que a Red Bull se teria inspirado na rival italiana. No entanto, em declarações prestadas em Miami, Pierre Waché esclareceu que o cronograma do projeto foi totalmente independente.

"O processo de idealização da nossa asa creio que partiu em 2025, no passado mês de novembro, numa tentativa de a introduzir nos testes no Bahrein ou na primeira corrida em Melbourne, na Austrália", explicou o engenheiro da Red Bull. "Tivemos alguns problemas em fazê-la funcionar. Ainda tentámos em Suzuka, com muito esforço. E agora funciona. Fazer funcionar este tipo de sistema é um processo muito longo."

O principal desafio para a equipe técnica centrou-se no tempo restrito permitido para a abertura e fechamento do mecanismo. A transição do perfil móvel exige que o flap percorra uma distância considerável, o que obrigou os engenheiros a encontrarem um tempo ideal para não gerar mais arrasto (drag) do que o desejado durante o movimento, garantindo a eficácia do DRS sem comprometer o equilíbrio do carro de Max Verstappen e Isack Hadjar.

"O aspeto complicado de fazer a asa funcionar é que tem um tempo de abertura e fechamento que é limitado", afirmou Waché. "A abertura e o fechamento preveem que o flap faça um longo caminho, e não estamos habituados a esse tipo de coisas. Não tínhamos previsto alguns problemas que entretanto surgiram por se tratar de um sistema totalmente novo. Talvez tenha sido culpa nossa, mas tínhamos que resolver. Após os solucionar, foi necessário mais tempo do que o normal no desenvolvimento do carro."

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Assim, a "super asa" do RB22 não é fruto de engenharia reversa sobre o carro da Ferrari, mas sim o resultado de meses de intenso trabalho nos bastidores de Milton Keynes para dominar um conceito altamente complexo.

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