A Ferrari desembarcou na Flórida com atualizações importantes e grandes expectativas para o Grande Prêmio de Miami, mas o saldo final deixou um gosto amargo em Maranello. O chefe da escuderia, Frédéric Vasseur, classificou o domingo como "mega difícil" após a equipe italiana não conseguir alcançar o pódio, terminando apenas na sexta e na oitava posições com Lewis Hamilton e Charles Leclerc, respectivamente. O dirigente francês apontou que, apesar de um bom ritmo no início, a corrida foi severamente prejudicada por incidentes prematuros e pelo desafio de manter os pneus na janela correta de temperatura.
A equipe italiana retornou da pausa da temporada disposta a fechar a diferença para a Mercedes, que se consolidou como sua principal rival neste início de campeonato. A princípio, o ritmo da Scuderia parecia promissor. Leclerc chegou a conquistar um pódio na corrida Sprint e largou em terceiro no GP de domingo. O monegasco teve um grande início, chegando a assumir a liderança logo após a primeira sequência de curvas, dividindo as atenções com Lando Norris e o grande vencedor da prova, Kimi Antonelli.
Porém, as dificuldades começaram a aparecer rapidamente. O fim de semana de Lewis Hamilton foi comprometido logo na primeira volta, quando o britânico perdeu parte do assoalho lateral (bargeboard) em um contato, precisando guiar um carro danificado e limitando sua corrida a um suado sexto lugar.
Para Leclerc, o cenário piorou na segunda metade da prova. Calçando os compostos duros da Pirelli, o piloto perdeu rendimento e se distanciou da briga pelas primeiras posições. O golpe final veio na última volta: enquanto forçava o ritmo para se manter próximo ao carro de Oscar Piastri, Leclerc tocou na zebra e acabou rodando. Para agravar a situação, ele sofreu uma punição de 20 segundos que o derrubou definitivamente para o oitavo lugar.
"Foi um domingo mega difícil", desabafou Vasseur em entrevista à F1 TV logo após a corrida. "Acho que o fim de semana foi muito bem até o momento da prova. Na volta 1, perdemos parte do bargeboard dianteiro do Lewis e ali foi quase o fim da corrida dele. Já com o Charles, estávamos lutando pela terceira posição. Podemos tentar ver o lado bom de que ele não precisou abandonar na Curva 4 [após a rodada], mas é duro. Ele estava forçando para tentar se manter perto do Piastri."
O grande vilão na escaldante pista de Miami, segundo a avaliação da própria equipe, foi a gestão dos compostos. Vasseur reconheceu que o primeiro stint com pneus médios trouxe um ritmo encorajador com ar livre, mas tudo mudou com o agrupamento do grid.
"A história do fim de semana girou em torno do gerenciamento e da temperatura dos pneus. Assim que você entra na janela correta, o ritmo aparece para todos. Mas é muito fácil superaquecê-los e ir parar do outro lado. O primeiro stint foi muito bom. Depois tivemos o Safety Car, o que juntou todo mundo, e a partir daí passou a ser um grande desafio de gerenciamento de energia", explicou o mandatário.
A Ferrari agora volta suas atenções para os dados recolhidos, precisando entender as oscilações de performance na segunda metade da corrida para maximizar o pacote de atualizações. A equipe tentará dar a volta por cima na próxima etapa do campeonato: o Grande Prêmio do Canadá, no final de maio.