A Pirelli aproveitou o fim de semana do Grande Prêmio de Miami, marcado pela constante ameaça de chuva, para realizar testes com cobertores térmicos mais quentes nos pneus intermediários. A medida, que elevou a temperatura das mantas de 60°C para 70°C, atendeu diretamente a um feedback dos próprios pilotos para melhorar o aquecimento da borracha, buscando coletar dados cruciais e reais com os carros em pista visando o futuro da Fórmula 1.
Embora a corrida no domingo tenha ocorrido com pista seca, a iminência de precipitação durante o evento abriu caminho para a fornecedora italiana tentar mitigar a atual falta de dados sobre os compostos de chuva. Até o momento, as únicas avaliações de pista molhada ocorreram em condições limitadas ou pouco representativas para um cenário competitivo real, como nos testes de pré-temporada em Barcelona, realizados com muito frio, e em sessões isoladas em Fiorano e no Japão.
Além do aumento da temperatura nas mantas térmicas para 70°C, essas avaliações ocorreram em paralelo a outras alterações técnicas focadas nos testes para 2026, como a redução da potência do MGU-K de 350 kW para 250 kW e a eliminação do uso do boost.
A Pirelli não descarta a possibilidade de elevar a temperatura dos cobertores para até 80°C no futuro, mas optou por avançar com cautela nesta primeira fase. O engenheiro-chefe da fabricante, Simone Berra, explicou a importância de aplicar a mudança em um fim de semana de corrida: "Queremos avaliar esta medida em um fim de semana real, com todas as equipes na pista. Um teste é uma situação controlada, mas a competição oferece uma visão muito mais completa".
Mesmo sem o aguardado temporal em Miami, o cenário deixou claro que a Fórmula 1 ainda tem lições de casa pendentes em condições de pista molhada. Agora, a Pirelli e a categoria aguardam a próxima chuva para colocar o experimento à prova em definitivo e compreender o futuro do regulamento de pneus.