Fórmula E: tecnologia da Gen4 pode acelerar evolução dos carros elétricos da Nissan

Soluções desenvolvidas nas pistas já chegaram ao Nissan Leaf, enquanto nova geração aumenta possibilidades de transferência tecnológica

22 set 2026 - 09h42
Nissan Leaf Nismo com pintura especial apresentada no ePrix de Londres de 2025.
Nissan Leaf Nismo com pintura especial apresentada no ePrix de Londres de 2025.
Foto: Divulgação / NISMO

A tecnologia desenvolvida na Fórmula E já começa a deixar as pistas para chegar aos carros elétricos vendidos nas ruas. A Nissan revelou que uma linha de código criada e aprimorada no campeonato foi incorporada ao novo Leaf, em um exemplo de como o desenvolvimento para as corridas pode contribuir para os veículos de produção da fabricante.

A relação entre competição e produção não é exatamente nova para a Nissan. Desde a entrada na Fórmula E, na temporada 2018/19, a fabricante utiliza o campeonato como ambiente de desenvolvimento e testes para soluções relacionadas à eletrificação. Com a chegada da Gen4, porém, a expectativa é de que essa troca se torne ainda mais ampla, especialmente em áreas ligadas ao software e ao gerenciamento do sistema elétrico.

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Segundo a Nissan, o desenvolvimento de software na Fórmula E permite testar e atualizar soluções em um ritmo muito mais acelerado do que seria possível em um veículo de produção. Durante uma temporada, os engenheiros podem trabalhar em diferentes versões dos sistemas eletrônicos, avaliando seu comportamento em condições extremas de utilização.

É justamente nesse processo que uma das tecnologias desenvolvidas para a categoria acabou chegando ao Leaf. A fabricante não revelou qual função específica foi alterada pela linha de código, mas o caso mostra como o conhecimento produzido no automobilismo pode percorrer o caminho entre o carro de corrida e o modelo vendido ao público.

A transferência, no entanto, não acontece de maneira direta. Um carro de Fórmula E é desenvolvido com prioridades bastante diferentes de um veículo de rua. Enquanto a competição permite concentrar esforços em desempenho e eficiência, os modelos produzidos em larga escala precisam considerar fatores como custo, durabilidade, conforto e facilidade de fabricação.

A Gen4 pode ampliar justamente a área em que esses dois mundos se encontram. A nova geração dos carros da Fórmula E terá maior liberdade para o desenvolvimento de sistemas eletrônicos e contará com tração integral, aumentando a importância do controle individual dos motores, da distribuição de torque e da regeneração de energia.

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Essas tecnologias também fazem parte dos desafios enfrentados pela indústria de carros elétricos. Na Nissan, um exemplo é o sistema e-4ORCE, utilizado para controlar a distribuição de torque e a força de frenagem entre os eixos dianteiro e traseiro. Na pista, soluções semelhantes podem ser levadas ao limite para encontrar formas mais eficientes de administrar a energia disponível.

O software ganha ainda mais importância nesse cenário. A Porsche, por exemplo, revelou que seu carro da Gen4 possui mais de 1,5 milhão de linhas de código distribuídas entre suas unidades de controle. A dimensão mostra como o desenvolvimento eletrônico passou a ocupar um espaço cada vez maior no desempenho dos carros elétricos de competição.

Para a Nissan, a vantagem da Fórmula E está justamente na possibilidade de experimentar soluções em um ambiente no qual eficiência e desempenho são colocados constantemente à prova. O que funciona na pista, entretanto, ainda precisa passar por uma série de adaptações antes de chegar a um veículo produzido para as ruas.

O Leaf já mostra que esse caminho não é apenas uma possibilidade futura. Com a Gen4, a expectativa da fabricante é ampliar o intercâmbio entre os dois lados, transformando a Fórmula E em um campo de desenvolvimento não apenas para os carros de corrida, mas também para a próxima geração de veículos elétricos da marca.

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