A Fórmula 1 avançou nas discussões sobre a próxima geração de unidades de potência e já definiu os principais elementos do novo regulamento de motores. A categoria caminha para o retorno dos motores V8, mas a próxima geração não será naturalmente aspirada: o projeto prevê um V8 turbo de 3,0 litros, com um sistema elétrico menor e simplificado.
As conversas entre a FIA e os fabricantes ainda não terminaram, mas existe um acordo substancial sobre a estrutura da futura unidade de potência. A proposta busca deixar os motores mais simples, leves e próximos do conceito tradicional de um propulsor de competição.
A possível estreia do novo regulamento está prevista para 2030, mas a data ainda não foi definida. Caso seja confirmada, a mudança anteciparia em um ano o encerramento do atual ciclo técnico.
F1 descarta V8 naturalmente aspirado
Uma das principais discussões entre os fabricantes era justamente a possibilidade de recuperar o V8 naturalmente aspirado, configuração que marcou a Fórmula 1 entre 2006 e 2013.
A alternativa, porém, foi descartada. Segundo as informações divulgadas por Roberto Chinchero, da Motorsport.com, um V8 3.0 aspirado poderia atingir níveis de ruído incompatíveis com as restrições existentes em alguns dos atuais circuitos do campeonato.
A questão é especialmente relevante nos circuitos de rua. Melbourne, Miami, Madri, Singapura, Baku e Las Vegas possuem restrições relacionadas às emissões sonoras, o que poderia criar dificuldades para a realização dos eventos caso os carros fossem significativamente mais barulhentos.
Por isso, a solução encontrada prevê a utilização de um turbocompressor menor. A expectativa é que o novo V8 ainda produza um som mais alto do que as atuais unidades de potência, mas sem ultrapassar os limites de ruído de determinados circuitos.
Motor elétrico será reduzido
Apesar do retorno à arquitetura V8, a Fórmula 1 não pretende abandonar completamente a eletrificação.
O novo motor deverá contar com um componente elétrico simplificado de 100 kW, uma redução significativa em relação aos 350 kW da atual geração de unidades de potência. A ideia é manter uma conexão tecnológica com a indústria automotiva, mas sem repetir a complexidade do sistema híbrido atual.
Na prática, a eletrificação continuará presente, mas terá um papel menor no conjunto. A prioridade passa a ser uma unidade de potência mais simples e leve.
Novo motor será 50 kg mais leve
A redução de peso também está entre os principais objetivos do próximo regulamento.
A meta estabelecida para a futura unidade de potência é de pelo menos 50 kg a menos em comparação com os atuais conjuntos. A mudança pode ter impacto direto no desenvolvimento dos carros, já que uma unidade mais leve permite aos projetistas trabalhar com maior liberdade no restante do monoposto.
A proposta representa uma mudança de direção em relação à atual geração, marcada por sistemas híbridos mais complexos e pesados.
Estreia pode acontecer em 2030
Embora os principais elementos do novo motor já estejam encaminhados, as reuniões entre a FIA e os fabricantes continuarão para definir os detalhes restantes.
Entre as possibilidades está a introdução do novo regulamento em 2030. A mudança anteciparia em um ano o fim do atual ciclo técnico e colocaria a Fórmula 1 diante de uma nova filosofia de unidades de potência.
O projeto, portanto, ainda não está completamente fechado, mas a direção já está definida: V8 de 3,0 litros, turbocompressor menor, sistema elétrico de 100 kW e uma unidade de potência significativamente mais leve.