Atual campeão da Fórmula E, Pascal Wehrlein afirmou em coletiva de imprensa realizada hoje (18) que as diretrizes de pilotagem implementadas pela FIA ajudam a trazer mais clareza às decisões dos comissários, mas destacou que o automobilismo não pode ser guiado apenas por regras rígidas. Para o alemão, o equilíbrio entre regulamentação e interpretação continua sendo fundamental para preservar a essência das disputas em pista.
Ao comentar os padrões de pilotagem vistos na temporada e, principalmente nas duas últimas corridas em Londres, além dos desafios que podem surgir com a chegada da era Gen4, Wehrlein reconheceu o trabalho realizado pela FIA e pela direção de prova para tornar os critérios de julgamento mais objetivos. No entanto, o alemão ressaltou que a aplicação das diretrizes não deve substituir completamente a análise das circunstâncias de cada incidente.
Segundo o piloto da Porsche, as orientações atuais fazem sentido e representam um esforço válido para oferecer maior consistência nas decisões. Ainda assim, ele acredita que o esporte não deve perder espaço para o “bom senso”, elemento que considera essencial na avaliação das disputas roda a roda. Para Wehrlein:
"Não existe mais tanto espaço para o bom senso. É apenas seguir as diretrizes. Tudo o que aprendemos ao longo da vida sobre corridas que, se você ataca por dentro, se há sobreposição entre os carros e assim por diante, toda essa experiência e a forma como corríamos antes, já não se aplica da mesma maneira. Por isso, acredito que as diretrizes fazem sentido e valorizo o esforço do diretor de prova e da FIA para tornar tudo o mais claro possível. Mas, ao mesmo tempo, também sou um grande defensor do bom senso. Gosto de corridas disputadas, de explorar os limites, e não apenas de seguir um livro de regras e diretrizes que transformam tudo em algo puramente preto no branco."
O alemão argumentou que a competição deve continuar permitindo interpretações baseadas na dinâmica das corridas, em vez de depender exclusivamente de critérios fixos. Para Wehrlein, o desafio da categoria nos próximos anos será encontrar um equilíbrio entre segurança, clareza regulatória e a liberdade necessária para manter disputas intensas na pista.
Com a introdução dos carros Gen4 a partir da próxima temporada, que prometem desempenho significativamente superior ao da geração atual, o debate sobre limites de pilotagem e critérios de julgamento tende a ganhar ainda mais relevância na categoria.