O e-commerce brasileiro deve faturar R$ 13,3 bilhões na Black Friday 2026, uma alta de 20,7%, impulsionado pelo bom momento do setor e a recente proibição das apostas online, que pode direcionar recursos ao varejo. Com previsão de 69,4 milhões de produtos vendidos, o evento terá tíquete médio menor devido à diluição das compras com itens mais baratos. Eletrodomésticos, moda e beleza liderarão o faturamento, consolidando a expectativa de que o comércio eletrônico encerre o ano movimentando R$ 460 bilhões.
A Black Friday 2026 deve movimentar R$13,3 bilhões no varejo eletrônico brasileiro entre quinta-feira (26) e domingo (29) de novembro, o que representa um crescimento de 20,7% sobre o ano passado, segundo projeção feita pela Confi/Neotrust, em parceria com o E-Commerce Brasil.
A expectativa é que sejam vendidos no período 69,4 milhões de produtos, 15,4% a mais do que no anterior.
De acordo com as empresas, a projeção de crescimento para a Black Friday deste ano se dá pela tendência positiva observada no setor desde o começo de 2026.
"Temos observado o e-commerce crescendo desde o início do ano em dígito duplo, na casa de 17%. Estamos observando também um movimento muito puxado pelos grandes marketplaces. Tudo indica que em novembro vamos ter esse movimento também", disse o diretor de negócios da Neotrust, Leo Bicalho, em entrevista à Reuters.
De 1º de janeiro a 30 de setembro, o setor faturou R$322,6 bilhões, valor 16,9% maior que o observado no mesmo período de 2025, segundo as empresas.
O estudo atribui a tendência positiva observada nos últimos meses às promoções em datas duplas - como 10/10 - que o setor adotou com maior frequência ao longo do ano.
"Todas as datas duplas do ano estão sempre puxando (as vendas)", disse Bicalho. De acordo com a pesquisa, a data dupla de novembro (11/11) deve atingir R$3,17 bilhões em faturamento, crescimento de 21% em relação ao ano anterior, mantendo-se como a segunda maior concentração em vendas em um único dia.
PROIBIÇÃO DAS BETS
Outro elemento apontado como um possível impulsionador das vendas na Black Friday de 2026 é a recente proibição das apostas online no país, anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 25 de setembro.
"Os dados do Ministério da Fazenda mostram que eram gastos cerca de R$600 milhões de reais por dia nas bets legais. A gente estima que boa parte disso pode migrar para o consumo, para o varejo", disse Bruno Pati, presidente do E-commerce Brasil. "Ainda é uma incógnita, mas a época veio bem a calhar", completou Patti.
"O valor médio (das compras do e-commerce) tem abaixado e as bets são uma coisa em que o 'tíquete' é menor, então acho que (a proibição) pode escoar para o e-commerce", disse Pedro Chiamulera, presidente da Confi.
MAIS VENDAS, VALOR MENOR
Embora o estudo projete um aumento nas vendas, o valor médio esperado das compras é menor.
"A queda do tíquete geral ao longo do ano é em função da diluição do carrinho. O consumidor está comprando de tudo, inclusive itens mais baratos, online", disse Bicalho.
Ainda assim, o segmento de eletrodomésticos deve se destacar na Black Friday deste ano liderando as vendas, com R$2,12 bilhões e crescimento de 44,5%, seguido por moda e acessórios, com R$1,38 bilhão (+44,2%), e beleza e perfumaria, com R$910 milhões e avanço de 69,8%.
Em 2025, os quatro dias do período de Black Friday geraram faturamento de R$11 bilhões para o comércio eletrônico brasileiro, 18,7% a mais que em 2024. O número de pedidos cresceu 28%, chegando a 23,5 milhões, enquanto o valor médio das compras caiu 7,3%, para R$468,97.
Para 2026, a expectativa das empresas é que o e-commerce encerre o ano com alta de 18,4% nas vendas, o que representará aproximadamente R$460 bilhões de faturamento.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)