Waller, do Fed, não espera impacto persistente do choque atual do petróleo na inflação

6 mar 2026 - 11h16

O aumento dos preços da gasolina ‌após o início dos ataques aéreos dos EUA contra o Irã pode ser um choque para o consumidor, mas a alta global do petróleo provavelmente não levará a uma inflação persistente, nem justificará uma mudança na política monetária, disse nesta sexta-feira ⁠o diretor do Federal Reserve Christopher Waller.

"Haverá um aumento acentuado ‌nos preços da gasolina. É isso que os cidadãos americanos verão quando forem abastecer, e ficarão surpresos e um pouco ‌chocados", disse Waller à Bloomberg Television. "Se ‌isso se normalizar em... algumas semanas ou até dois ⁠meses, não será um grande problema no futuro."

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Os preços do petróleo dispararam para perto dos US$90 o barril, contra US$ 72 antes de o presidente Donald Trump iniciar uma ofensiva aérea sem prazo definido contra o Irã, para derrubar o governo ‌islâmico linha-dura do país. Os preços da gasolina nos EUA subiram ‌cerca de 10%, ⁠de pouco menos ⁠de US$3 o galão para US$3,32.

Tradicionalmente, os preços da gasolina têm um ⁠impacto desproporcional no sentimento do ‌consumidor norte-americano, mas Waller ‌afirmou que a expectativa do Fed é de que o choque de preços seja relativamente passageiro, ao contrário das interrupções no fornecimento de petróleo da década de 1970, ⁠que ocorreram em ondas sucessivas e nunca permitiram a recuperação dos preços.

"Isto é... mais como um evento isolado", disse Waller sobre a atual alta dos preços do petróleo. As oscilações dos preços do petróleo, bem ‌como de alguns outros produtos básicos, como alimentos, são um dos motivos pelos quais o Fed se concentra no "núcleo" de ⁠inflação, que exclui esses itens voláteis, ao tentar atingir a meta de 2%.

Trump não estabeleceu um prazo para o conflito. A navegação pelo Estreito de Ormuz praticamente parou, e algumas autoridades regionais alertaram para novos aumentos de preços, dependendo do sucesso dos contra-ataques iranianos e da duração do conflito.

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Os mercados estão mais céticos quanto à probabilidade de novos cortes nas taxas de juros do Fed.

Waller afirmou que o principal risco para as perspectivas do Fed é se o choque do petróleo "se tornar mais permanente".

"Então começará a se espalhar para outras partes da economia", disse.

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