A Vibra Energia dobrou o volume de importação de diesel para abril e não deixará faltar produto em sua rede de postos com bandeira Petrobras, informou o presidente da maior distribuidora do país, Ernesto Pousada, nesta sexta-feira, em entrevista à CNN Brasil.
A afirmação vem após o sindicato que representa as três distribuidoras nacionais Vibra, Raízen e Ipiranga ter apontado riscos ao abastecimento nacional, em carta enviada ao governo e à reguladora ANP, nesta semana, pedindo que a Petrobras retomasse leilões, em meio a um cenário indefinido de estoques e prazo curto para importações.
"Posso assegurar a esse consumidor, a essa população que está lá na ponta, nos postos Petrobras, nós estamos fazendo todos os esforços e teremos o diesel disponível", disse Pousada, na entrevista, pontuando que os seus estoques estão mais baixos do que estavam, mas que a companhia está regularizando com compras externas.
A Vibra, ex-BR Distribuidora, foi privatizada em governos passados, mas mantém ainda o direito de usar a marca Petrobras até 2029. Depois disso, terá alguns anos para desembandeirar sua rede com a marca da petroleira estatal.
O executivo ponderou que houve redução no volume previsto de fornecimento pela Petrobras para o próximo mês, mas que a empresa buscou alternativas no mercado externo.
"Na cota de abril, nós recebemos um retorno da Petrobras do que seria possível atender menor do que a gente normalmente compra, e nós já imediatamente buscamos no mercado internacional e os navios já estão a caminho do Brasil."
Ele acrescentou que há uma disrupção na cadeia global de fornecimentos, diante da escalada de conflitos no Oriente Médio, com a restrição de oferta por alguns países. Entretanto, disse que há produto disponível, embora um pouco mais difícil de encontrar.
"O preço, como eu falei, mais alto, mas nós temos condições e nós temos conseguido encontrar."
Pousada reconheceu que a Petrobras tem feito "todos os esforços possíveis".
"Hoje, tivemos uma ótima notícia: a Petrobras liberou um volume adicional de gasolina... a gente percebe que a Petrobras está trabalhando par e passo com o nosso time, estão conversando a todo momento... tenho certeza que vamos trabalhar juntos para recuperar esse volume de diesel pra frente."
Fontes do setor de distribuição ouvidas pela Reuters nesta sexta-feira afirmaram que a solução para a atual crise de restrição de oferta de combustíveis no país seria um reajuste de preços pela Petrobras, para que se abra novamente uma janela de importação e mais agentes tenham segurança de trazer o produto do exterior e remunerar suas atividades.
A Petrobras atende atualmente a mais de 50% do consumo de diesel no país, com aproximadamente 20% vindo das refinarias privadas e o restante da importação, realizada por uma série de players, entre grandes e pequenos -- e pela própria estatal.
Pousada também comentou que o programa de subvenção do governo federal anunciado para o diesel não cobre a diferença atual entre o custo do produto importado e o preço da Petrobras.
"A subvenção é de cerca de 32 centavos o litro. Hoje, a diferença... do importado versus o preço Petrobras é R$2,50 por litro", declarou. "Ele não vai cobrir toda a diferença que hoje existe no preço do produto importado."
Pousada acrescentou, porém, que entende o esforço com a situação fiscal do país e que a Vibra participará do programa.