A comercialização de pneus novos importados no Brasil saltou 81,2% no primeiro semestre sobre o mesmo período do ano passado, para 27,2 milhões de unidades, o equivalente a uma participação no mercado interno total de 60%, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip).
Os dados incluem pneus para automóveis, veículos comerciais leves e de carga dos segmentos de reposição e de montadoras, afirmou a entidade em comunicado ao mercado. Os números não incluem pneus de motocicletas.
Com isso, a participação dos fabricantes nacionais no mercado brasileiro recuou de 56% no primeiro semestre do ano passado, para 40% na primeira metade deste ano, menor nível desde pelo menos 2019, segundo os números da Anip.
A entidade afirmou que as vendas dos fabricantes nacionais de pneus somaram 17,86 milhões de unidades de janeiro ao final de junho, queda de 6,8% sobre a primeira metade de 2025.
"O mundo está intensificando as barreiras tarifárias contra pneus da Ásia para proteger suas indústrias, enquanto o Brasil segue vulnerável", afirmou o presidente da Anip, Rodrigo Navarro, em comunicado à imprensa. "Há um claro desequilíbrio no mercado brasileiro de pneus."
O setor, que reúne fabricantes de pneus instalados no Brasil, tem cobrado do governo federal a adoção de novas medidas de defesa comercial contra produtos importados citando concorrência desleal. O segmento defende aumento da tarifa de importação de pneus de passeio de 25% para 35%.
Enquanto isso, os importadores por meio da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Pneus (Abidip) querem que o imposto de importação, que de isento passou a 16% em 2024 e para 25% em 2025, volte para o nível de 2024.
A indústria de pneus do Brasil é formada por 11 fabricantes - Bridgestone, Continental, Dunlop, Goodyear, Maggion, Michelin, Pirelli, Prometeon, Rinaldi, Titan e Tortuga - com 19 fábricas em sete estados, segundo dados da Anip.
Segundo a entidade, a maior queda nas vendas ocorreu no mercado de reposição, foco de atuação dos importados, no qual as vendas da indústria nacional recuaram 10,1%. O fornecimento para as montadoras permaneceu relativamente estável, com retração de 0,3%.
Com esse resultado, a indústria brasileira encerrou o semestre com 29% de participação no mercado de reposição, ante 71% dos produtos importados, afirmou a Anip. No primeiro semestre de 2021, os fabricantes nacionais detinham aproximadamente 64% desse mercado, enquanto os importados respondiam por 36%.