Pressionadas pelo exterior, as taxas dos DIs fecharam em alta nesta quinta-feira, acompanhando o avanço dos rendimentos dos Treasuries norte-americanos, do dólar e do petróleo, em meio a temores de um conflito prolongado no Oriente Médio. No Brasil, o Banco Central reduziu a projeção do PIB de 2026 para 1,8% e reforçou que manterá a Selic em patamar restritivo contra a inflação, enquanto investidores monitoram o cenário eleitoral e desdobramentos da nova fase da operação Carbono Oculto.
As taxas dos DIs fecharam a quinta-feira com altas sob influência do exterior, onde os rendimentos dos Treasuries, o dólar e o petróleo subiram em função das preocupações com a continuidade da guerra no Oriente Médio.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,675%, com alta de 10 pontos-base ante o ajuste de 13,573% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,065%, com elevação de 3 pontos-base ante 14,039%.
O rendimento do título norte-americano de 30 anos atingiu durante o dia o maior nível desde 2004, precificando a probabilidade de uma guerra prolongada de EUA e Israel contra o Irã, com impactos sobre a inflação e a atividade.
A aceleração dos rendimentos dos Treasuries durante a manhã acabou por conduzir as taxas dos DIs também para o território positivo.
Após marcar a mínima de 13,550% (-2 pontos-base) às 10h12, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a máxima de 13,685% (+11 pontos-base) às 12h52. Perto desse horário os rendimentos dos Treasuries também renovaram as máximas do dia, em meio a preocupações com a inflação nos EUA e à perspectiva de novas altas de juros pelo Federal Reserve.
No Brasil, o Banco Central atualizou pela manhã suas projeções econômicas por meio do Relatório de Política Monetária. A expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 passou de 2,0% para 1,8%, enquanto a projeção para o próximo ano é de 1,4%.
Em entrevista sobre o relatório, o diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do BC, Paulo Picchetti, reforçou que a instituição faz atualmente uma "calibração" da taxa Selic, hoje em 13,75% ao ano, e que os juros serão mantidos em níveis restritivos.
"As taxas ainda estão e vão ser mantidas em patamares restritivos para atender nosso compromisso de conduzir a inflação para a meta", afirmou Picchetti, que atualmente acumula a Diretoria de Política Econômica do BC.
Entre os analistas do mercado, a desaceleração da atividade tem sido citada como um dos fatores que favorecem novos cortes da Selic. Atualmente, a curva de DIs precifica de forma majoritária novo corte de 25 pontos-base em novembro, mas profissionais ouvidos pela Reuters têm ponderado que isso dependerá em grande parte do cenário pós-eleitoral.
Nesta quinta-feira os investidores seguiram atentos à disputa pelo Planalto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os dois aparecem tecnicamente empatados nas pesquisas eleitorais mais recentes. Um novo levantamento do Datafolha será divulgado no início da noite.
No noticiário local, destaque ainda para a nova fase da operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira pela Receita Federal e pelo Ministério Público de São Paulo para apurar o suposto uso de um esquema de lavagem de dinheiro na compra de uma grande distribuidora de combustíveis. Um executivo do mercado financeiro que teve ligações com o Banco Genial e um delator do caso Banco Master estão entre os alvos.
No exterior, às 16h33 o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 7 pontos-base, a 5,187%. Já o retorno do papel de 30 anos avançava 7 pontos-base, para 5,473%. O petróleo Brent subia 4,22%, aos US$107,43 o barril.