As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam a quarta-feira com perdas firmes, superiores a 20 pontos-base em vários vencimentos, com o mercado eliminando parte dos prêmios de risco da curva a termo na esteira de notícias de que Irã e EUA podem estar próximos de um acordo para encerrar a guerra.
Com os rendimentos dos Treasuries em queda firme, no fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,605%, em baixa de 22 pontos-base ante o ajuste de 13,825% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,72%, com queda de 15 pontos-base ante o ajuste de 13,865%.
No início do dia, uma fonte paquistanesa familiarizada com as conversas diplomáticas afirmou que Irã e EUA estão perto de um acordo sobre um memorando de uma página para encerrar o conflito no Golfo Pérsico.
A informação surgiu após o site Axios ter noticiado que a Casa Branca acredita estar perto de um memorando para encerrar a guerra com o Irã, depois que o presidente norte-americano Donald Trump suspendeu uma missão naval de três dias para reabrir o Estreito de Ormuz.
Durante a tarde, Trump reforçou a expectativa de um acordo. "Estamos indo muito bem no Irã. Está tudo indo muito bem, e veremos o que acontece. Eles querem fazer um acordo, querem negociar", disse Trump em um evento na Casa Branca. A jornalistas, Trump disse ainda que é muito possível que Washington e Teerã fechem um acordo.
O otimismo de que os dois países possam de fato chegar a um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz -- por onde passam 20% do petróleo e do gás comercializado no mundo -- conduziu a busca por ativos de risco, como ações.
O petróleo Brent cedeu para a faixa dos US$101 o barril, reduzindo as preocupações em torno dos efeitos da guerra sobre a inflação nos países.
Em reação, os rendimentos dos Treasuries tiveram baixas firmes, assim como as taxas dos DIs no Brasil. Às 9h02, na abertura da sessão, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcou a mínima de 13,650%, em baixa de 22 pontos-base.
No mercado, a percepção é de que a possibilidade de fim da guerra eleva as chances de mais cortes de juros pelo Banco Central.
Na segunda-feira -- dado consolidado mais recente -- as opções de Copom negociadas na B3 precificavam 50% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base da Selic em junho, contra 39% de chance de manutenção em 14,50% e 7,5% de possibilidade de redução de 50 pontos-base.
"Naturalmente que se o conflito chegar ao fim, a possibilidade de o Copom continuar cortando juros, em ritmo de 0,25, aumenta substancialmente a depender da evolução dos preços de petróleo, alimentos, fertilizantes e outras commodities", pontuou em relatório o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior.
Às 16h39, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 7 pontos-base, a 4,35%.
Veja como estavam as taxas dos principais contratos de DI no fim da tarde desta quarta-feira:
Mês Ticke Taxa Ajuste Variação
r (% anterior (p.p.)
a.a.) (% a.a.)
JUL/26 14,356 14,365 -0,009
JAN/27 14,05 14,149 -0,099
JAN/28 13,605 13,825 -0,22
JAN/29 13,515 13,744 -0,229
JAN/30 13,565 13,788 -0,223
JAN/31 13,595 13,8 -0,205
JAN/35 13,72 13,865 -0,145
(Edição de Isabel Versiani)