Tarifaço de Trump: Efeito macro das tarifas até o momento é nenhum, diz André Esteves

O chairman do BTG Pactual defendeu postura construtiva e paciente do governo para baixar tensões e buscar negociação; 'Operar para que as tensões subam será um erro', diz

13 ago 2025 - 16h56
(atualizado às 17h16)

O chairman e sócio-fundador do BTG Pactual, André Esteves, disse que o plano de contingência anunciado nesta quarta-feira, 13, pelo governo tem legitimidade ao apoiar setores específicos atingidos pela política comercial dos Estados Unidos. Ele ponderou que o tarifaço do presidente americano, Donald Trump, ainda não teve efeito na dimensão macroeconômica.

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"Até agora, o efeito macroeconômico dessas tarifas é nenhum. É claro que vai afetar um ou outro setor, uma ou outra empresa, de maneira importante. Tem aí um pacote do governo para amenizar dores localizadas. Acho que tem alguma legitimidade nisso. Mas, do ponto de vista macro, não vai mudar nada", comentou o banqueiro.

Sobre o combate à inflação: 'Parece que estamos ganhando a batalha, e o juro pode começar a cair ou em dezembro ou em janeiro', diz Esteves
Sobre o combate à inflação: 'Parece que estamos ganhando a batalha, e o juro pode começar a cair ou em dezembro ou em janeiro', diz Esteves
Foto: Clayton de Souza/Estadão / Estadão

Ele mencionou previsões pouco expressivas, de impacto baixista de 0,1 ponto porcentual tanto no Produto Interno Bruto (PIB) quanto na inflação, considerando que o efeito das tarifas levantadas nos Estados Unidos é deflacionário para o Brasil. "Então, até agora, não aconteceu nada", disse Esteves ao participar de painel sobre o cenário macroeconômico do AgroForum, evento promovido pelo BTG.

O banqueiro defendeu uma postura construtiva e paciente do governo brasileiro no enfrentamento da crise das tarifas para baixar as tensões, buscando a negociação. "Eu acho que operar para que as tensões subam será um erro. Será um erro econômico", afirmou. Para Esteves, o Brasil precisa defender a sua soberania. Isso não significa, porém, não negociar com os Estados Unidos.

'Juros poderão voltar a cair em dezembro ou janeiro

Esteves avaliou que os juros altos estão produzindo efeitos na convergência da inflação, o que pode dar espaço para o Banco Central (BC) começar a cortar a taxa básica de juros, a Selic, a partir de dezembro ou janeiro.

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Ele disse que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar agosto com variação negativa, ou seja, mostrando deflação.

"Parece que estamos ganhando a batalha, e o juro pode começar a cair ou em dezembro ou em janeiro. Muito provavelmente o juro vai cair ao longo do ano que vem todo, o que é uma boa notícia para todos nós", afirmou o banqueiro.

Segundo Esteves, o BC tem cumprido o papel de combater a inflação, mostrando sua independência "pelo menos no campo monetário", o que tem ajudado a derrubar as expectativas do mercado quanto ao comportamento dos preços.

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