BRASÍLIA - Cálculos preliminares do Ministério da Fazenda apontam que a implementação da gratuidade no transporte público em todo o território nacional teria um custo próximo de R$ 100 bilhões ao ano, segundo dados obtidos pelo Estadão/Broadcast. O tema vem sendo estudado a pedido do Palácio do Planalto, que vê a tarifa zero universal como um possível trunfo eleitoral.
Por ora, a avaliação na equipe econômica é de que o montante, embora elevado, pode ser pago pela União. Os obstáculos para a implementação da tarifa zero universal são muito mais de caráter regulatório e operacional, uma vez que o Brasil tem mais de 5,5 mil municípios — nem todos com sistema público de transporte urbano —, e mesmo as maiores cidades têm níveis de maturidade diferentes em seus sistemas.
O mais provável é que, se a proposta avançar, ela seja executada gradualmente, a partir de planos-piloto em cidades específicas, com a possibilidade de testar modelos distintos. Nesse cenário, uma opção seria fatiar as ações, começando pelos maiores municípios, por exemplo.
Apesar de ainda estar em fase incipiente de estudos sobre os impactos econômicos, integrantes da Fazenda ouvidos sob condição de anonimato não descartam que o tema volte a ser pauta eleitoral em 2026.
A avaliação técnica preliminar, entretanto, seria que as dificuldades e o custo elevado não indicam que a ideia possa se tornar uma política pública efetiva feita da noite para o dia.