NÃO-ME-TOQUE (RS) - Produtores rurais do Rio Grande do Sul relatam cancelamento de entrega de combustíveis pelos Transportadores Revendedores Retalhistas desde a sexta-feira, informou a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul). "Conforme as empresas responsáveis pela distribuição de diesel nas propriedades rurais, o problema se inicia nas refinarias que, sem aviso prévio ou justificativa, suspenderam a distribuição desses combustíveis. A Farsul ressalta a gravidade da situação", alertou a entidade em nota.
A federação destaca que o Rio Grande do Sul se encontra em meio à colheita da safra de verão, em especial das lavouras de arroz e soja. "O atraso no trabalho faz com que as lavouras fiquem expostas a intempéries em um Estado que já vem sofrendo volumoso prejuízo pelo acúmulo de perdas em razão de eventos climáticos, impactando em toda economia gaúcha", acrescentou a Farsul.
A Federação afirmou, ainda, que busca medidas legais cabíveis para normalização dos serviços de entrega de combustíveis às propriedades rurais a fim de resolver o problema o mais rápido possível. "A federação também já solicitou ao governo do Estado para atuar junto ao Ministério de Minas e Energia para que a situação não se torne ainda mais difícil, tendo resposta imediata de ação por parte do Executivo Estadual.
"A Farsul está vigilante quanto ao problema e seguirá monitorando a situação e tomando todas as medidas legais cabíveis para solucionar a questão da forma mais rápida e eficiente e, assim, evitar eventuais prejuízos ao setor agropecuário do Rio Grande do Sul", concluiu a federação. A nota é assinada pelo presidente do Sistema Farsul, Domingos Velho Lopes.
A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) também se manifestou afirmando preocupação diante de relatos de produtores rurais de diversas regiões do Estado sobre a não entrega de pedidos de óleo diesel previamente agendados. "Os cancelamentos estariam sendo justificados por suposto desabastecimento, ao mesmo tempo em que foi registrado aumento superior a R$ 1,20 por litro do combustível", afirmou a entidade em nota.
A Federarroz alerta que os cancelamentos ocorrem no início da colheita da safra 2025/2026, período de alta demanda por combustível nas lavouras para o funcionamento de máquinas agrícolas e para a logística de transporte da produção. "A entidade poderá adotar medidas legais e solicitar esclarecimentos à Petrobras sobre a situação. Suspeitas de possíveis irregularidades comerciais praticadas por integrantes da cadeia de abastecimento de combustíveis, em prejuízo aos produtores e consumidores, poderão ser objeto de ações legais nas esferas administrativa, cível e penal, conforme prevê a legislação brasileira", observou a Federarroz.
Segundo a Federarroz, a eventual escassez de diesel ou elevação abrupta do preço do combustível em cenário de baixos preços do cereal pode ampliar ainda mais os custos de produção e afetar o desempenho das lavouras com eventuais impactos sobre o preço final do arroz.
Em nota, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que está "monitorando de perto" o abastecimento de diesel em todo o território nacional. "A agência recebeu informações sobre dificuldades pontuais de aquisição de diesel por produtores rurais no Rio Grande do Sul. Neste sentido, ao longo deste fim de semana, a agência entrou em contato com os principais fornecedores da região e apurou que o Estado do Rio Grande do Sul conta com estoques suficientes para assegurar o abastecimento regular de diesel", disse a ANP.
De acordo com a agência, a produção e a entrega do combustível seguem em ritmo regular pelo principal fornecedor do Estado, a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap). "Equipes técnicas da ANP estão realizando verificação das instalações e operações relevantes. As distribuidoras serão formalmente notificadas para que prestem os devidos esclarecimentos à ANP sobre o volume em estoque, os pedidos recebidos e os pedidos efetivamente aceitos. Caso seja necessário, a agência está preparada para adotar todas as medidas cabíveis a fim de assegurar a continuidade e a normalidade da oferta de diesel no País", afirmou a ANP.
A agência destacou, ainda, que o Rio Grande do Sul produz mais diesel do que consome e se encontra com nível de estoque regular. "Não foram constatadas justificativas técnicas ou operacionais que expliquem uma eventual recusa no fornecimento do diesel", acrescentou a agência. Por fim, a ANP disse que investigará em conjunto com órgãos de defesa do consumidor aumentos de preços injustificados no Estado.