Payroll frustra: EUA criam só 29 mil empregos; analista vê alívio na pressão por alta de juros

2 out 2026 - 11h36
Resumo
Os EUA criaram 29 mil empregos em setembro, frustrando a expectativa de 85 mil vagas. O payroll também revisou negativamente os meses anteriores em 60 mil postos, mostrou avanço salarial mais lento e elevou o desemprego para 4,2%. Segundo analistas, esse desaquecimento do mercado de trabalho reduz a pressão para que o Federal Reserve volte a subir os juros no curto prazo, aumentando as apostas de manutenção das taxas na próxima reunião de política monetária.
Payroll de setembro mostra criação de 29 mil empregos e desemprego de 4,2% nos Estados Unidos.
Payroll de setembro mostra criação de 29 mil empregos e desemprego de 4,2% nos Estados Unidos.
Foto: Suno

O mercado esperava 85 mil novas vagas, mas recebeu um número bem menor. O payroll mostrou que os Estados Unidos criaram 29 mil empregos líquidos em setembro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (2) pelo Departamento do Trabalho americano. O resultado ficou abaixo de todas as estimativas consultadas pelo Projeções Broadcast, que variavam de 50 mil a 175 mil postos.

A divulgação também trouxe revisões negativas dos meses anteriores e crescimento mais lento dos salários. Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o conjunto dos números reduz a pressão por novas altas dos juros americanos.

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"O resultado fraco, somado às revisões negativas, mostra um mercado de trabalho menos aquecido do que sugeria o dado de agosto", afirma.

O que o payroll mostra?

O payroll mede a variação do número de empregos fora do setor agrícola nos Estados Unidos. O saldo é líquido: considera a diferença entre postos criados e eliminados no período.

Além do resultado de setembro, o levantamento reduziu a estimativa de agosto de 162 mil para 133 mil vagas. Julho passou de uma criação de 21 mil postos para uma perda de 10 mil.

Com as revisões, os dois meses tiveram, juntos, 60 mil empregos a menos do que o informado anteriormente. O Departamento do Trabalho explica que essas atualizações incorporam novas informações recebidas e ajustes sazonais.

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Desemprego chega a 4,2% e salários avançam menos

A taxa de desemprego ficou em 4,2%, acima da expectativa de 4,1% citada pela Nomad. Apesar da elevação, o indicador permanece na faixa de 4,1% a 4,3% observada desde março.

O salário médio por hora aumentou 0,1% no mês e 3% em 12 meses. Segundo Kayo, o mercado esperava altas de 0,3% e 3,1%, respectivamente.

Entre os setores, saúde acrescentou 17 mil vagas, construção somou 11 mil e indústria criou 9 mil. As atividades financeiras eliminaram 7 mil postos.

O que muda nas expectativas para os juros?

Na avaliação do economista da Nomad, a combinação de contratações mais fracas e menor crescimento dos salários tende a reduzir a pressão por novos aumentos de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos.

Kayo ressalta, porém, que o desemprego continua baixo e a inflação permanece acima da meta de 2%. Para ele, esse quadro deixa o Fed diante de uma situação delicada após a recente elevação dos juros.

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Ao comentar a mudança nas apostas após o payroll, o economista afirma: "Agora, a expectativa é de manutenção de juros no próximo Fomc e aumento somente na última reunião do ano." O Fomc é o comitê responsável pelas decisões de política monetária do Fed.

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