Paralisação em oleoduto na Arábia Saudita pode causar perda de 4% do abastecimento de petróleo

13 set 2026 - 13h33
Resumo
A paralisação do principal oleoduto da Arábia Saudita após ataques de drones ameaça cortar até 4% da oferta global de petróleo. Com estoques no porto de Yanbu suficientes para apenas cinco a sete dias, a falta de previsão para reparos — que podem levar semanas — pode esgotar o fornecimento do país. A crise agrava a escassez mundial e pressiona a inflação, num momento em que a produção saudita já atingiu mínimas históricas e o mercado global prevê queda de 6% no abastecimento neste ano.

A Arábia ‌Saudita ficará sem estoques de petróleo para exportação se não reiniciar seu principal oleoduto para o Mar Vermelho nos próximos dias, o que levaria a uma perda de até 4% do abastecimento global, afirmaram compradores e corretores de petróleo sauditas.

Imagem de satélite mostra danos às instalações do oleoduto Leste-Oeste na região de Hejaz, na Arábia Saudita
11 de setembro de 2026 2026 Planet Labs PBC/Divulgação via REUTERS
Imagem de satélite mostra danos às instalações do oleoduto Leste-Oeste na região de Hejaz, na Arábia Saudita 11 de setembro de 2026 2026 Planet Labs PBC/Divulgação via REUTERS
Foto: Reuters

Uma queda ainda maior nos fluxos sauditas agravará a escassez global de abastecimento, que ⁠já empurrou os preços globais dos combustíveis para níveis recordes, impulsionou a inflação ‌em todo o mundo e levou os rendimentos dos títulos dos EUA aos níveis mais altos desde a crise financeira de 2008.

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Desde que ataques com ‌drones forçaram a Arábia Saudita a fechar seu ‌enorme oleoduto leste-oeste na sexta-feira, Riad não divulgou detalhes completos sobre a extensão ⁠dos danos nem por quanto tempo o trecho permanecerá fora de operação.

Fontes que falaram com a Reuters apresentaram estimativas variadas: uma delas afirmou que os reparos nos danos poderiam levar de cinco a seis semanas, enquanto outra disse que o conserto poderia ocorrer mais cedo e que a operação poderia ser retomada parcialmente ‌enquanto os reparos estivessem em andamento.

A assessoria de imprensa do governo da Arábia ‌Saudita e o Ministério da ⁠Energia não responderam ⁠imediatamente aos pedidos de comentários.

Nos últimos seis meses, o oleoduto que atravessa o deserto da ⁠Península Arábica poupou a Arábia Saudita do ‌impacto mais severo do fechamento ‌do Estreito de Ormuz em tempo de guerra, que paralisou as exportações de seus vizinhos.

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O maior exportador do mundo tem usado o oleoduto para redirecionar cerca de 4 milhões de barris por dia — cerca de 4% ⁠do abastecimento global — para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho.

Mas, com o oleoduto fora de serviço, Yanbu agora possui estoques suficientes para manter as exportações por apenas cinco a sete dias, segundo três fontes do setor familiarizadas com as exportações sauditas.

A Arábia Saudita também possui ‌estoques para abastecer clientes por vários dias a partir dos portos egípcios de Ain Sukhna, no Mar Vermelho, e Sidi Kerir, no Mediterrâneo, afirmou uma quarta fonte.

A ⁠capacidade de armazenamento de Yanbu é de cerca de 35 milhões de barris, segundo estimativas do setor, com Ain Sukhna e Sidi Kerir capazes de armazenar 18 milhões e 20 milhões de barris, respectivamente.

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Os estoques não estão cheios e acabarão por se esgotar se o oleoduto leste-oeste não retomar as operações, afirmaram as quatro fontes.

O fornecimento de petróleo saudita já caiu em agosto para o nível mais baixo em mais de três décadas, devido à redução dos fluxos pelo Estreito de Ormuz e pelo Mar Vermelho, informou a Agência Internacional de Energia na sexta-feira. 

O fornecimento mundial de petróleo diminuirá este ano em 5,7 milhões de barris por dia, ou cerca de 6%, afirmou a AIE, que coordena as políticas energéticas ocidentais.

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