BRASÍLIA — O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira, 10, que não se pode tomar uma decisão açodada sobre a taxa básica de juros baseada nos preços do petróleo, que estão em alta por conta da guerra no Irã. Segundo ele, o cenário se parece com o do "tarifaço" dos Estados Unidos.
"Nós não podemos correr risco de tomar decisões açodadas. Você lembra no caso do 'tarifaço'? Houve um pânico gerado pela extrema-direita que aquilo ia quebrar a economia brasileira, e nada disso aconteceu", afirmou.
E seguiu: "Veja como o preço do petróleo está alucinando dia a dia. Você não pode, com base nisso, já ir tomando decisões estruturais que vão comprometer. Nós temos de observar, verificar o andar das coisas e estabelecer cenários como nós fizemos no caso do 'tarifaço'".
Segundo ele, o governo deve desenhar cenários possíveis e oferecer alternativas para a tomada de decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Nós entendemos que podemos estar diante de um fenômeno com consequências que podem ser contornadas de maneira sóbria, sem gerar nenhum tipo de estresse, e caminhando na direção que pretendemos", disse.
Perguntado sobre uma precificação de corte menor da taxa básica de juros por conta do cenário externo, Haddad afirmou que o Banco Central é autônomo tanto do governo, quanto do mercado.
"O Banco Central é autônomo, tanto do governo quanto do mercado. Ele, com base nos dados, vai verificar a conveniência de um movimento ou outro. Isso é atribuição dos diretores que estão lá, indicados para isso, com essa missão", afirmou.
"O Banco Central é independente. Porque ele tem uma metodologia de trabalho que ele vai seguindo", completou.