Quando vale a pena deixar o MEI? 6 sinais de que o negócio está pronto para mudar de regime

Crescimento das vendas, aumento da equipe e expansão da operação exigem atenção à estrutura do negócio

10 ago 2026 - 16h46

O crescimento de um pequeno negócio pode trazer novas demandas e indicar a necessidade de reavaliar sua estrutura. Para quem atua como Microempreendedor Individual (MEI), essa análise ganha importância diante das mudanças que poderão ocorrer no limite de faturamento nos próximos anos. 

À medida que a operação cresce, o empreendedor precisa avaliar se a estrutura atual continua adequada ao negócio
À medida que a operação cresce, o empreendedor precisa avaliar se a estrutura atual continua adequada ao negócio
Foto: DJSPIDA FOTO | Shutterstock / Portal EdiCase

Foi encaminhado ao Congresso Nacional um projeto de lei que prevê um reajuste progressivo do teto, atualmente fixado em R$ 81 mil. Pelo texto, o limite passará para R$ 110 mil em 2027 e chegará a R$ 140 mil em 2028.

Publicidade

A mudança poderá ampliar o espaço para que pequenos negócios cresçam sem precisar deixar imediatamente o regime simplificado. Ao mesmo tempo, exigirá que o empreendedor acompanhe de perto a evolução da empresa para entender quando permanecer como MEI continuará sendo vantajoso e quando uma migração para Microempresa (ME) passará a fazer sentido.

"Um teto maior dá mais espaço para o crescimento, mas não significa que o MEI será necessariamente o melhor enquadramento para todos os negócios. O empreendedor precisa analisar faturamento, margem de lucro, despesas, número de funcionários, atividade exercida e planos de expansão antes de tomar essa decisão", explica Matheus Lopes, contador e especialista tributário da Matheus Contador Gestão Empresarial.

Abaixo, Matheus Lopes explica aspectos que podem indicar a necessidade de migrar o MEI para outro regime.

1. Mesmo com o novo teto, o faturamento continua crescendo rapidamente

A elevação do limite poderá dar mais margem para o empreendedor crescer dentro do MEI, mas negócios que apresentam expansão acelerada devem acompanhar a receita mês a mês. "A proximidade do novo teto previsto para cada período é um sinal de que já é hora de fazer projeções e avaliar os próximos passos", alerta o contador.

Publicidade

2. O negócio está crescendo, mas o MEI já não acompanha a operação

O aumento do faturamento não é o único fator. "Quando a empresa passa a ter mais clientes, fornecedores, funcionários e despesas, a estrutura do MEI pode deixar de acompanhar a complexidade da operação", explica Matheus Lopes.

3. Existe necessidade de ampliar a equipe

Caso o projeto de lei seja aprovado, permitirá a contratação de até dois funcionários. Contudo, negócios que precisam de uma equipe maior terão de avaliar outro enquadramento. Além disso, mesmo dentro do possível novo limite, o custo e a estrutura da folha de pagamento deverão entrar na análise financeira da empresa.

4. O empreendedor pretende expandir as atividades

Segundo o especialista, a inclusão de novas atividades, a abertura de filiais ou as mudanças no modelo de negócio podem tornar necessária uma revisão do enquadramento. "Antes de crescer, é importante verificar se a nova operação continua compatível com as regras do MEI", explica.

Comparar despesas, margem de lucro e folha de pagamento ajuda a avaliar diferentes cenários tributários
Foto: Lithiumphoto | Shutterstock / Portal EdiCase

5. O negócio já precisa de um planejamento tributário mais detalhado

Quanto mais a empresa cresce, mais importante se torna comparar diferentes cenários tributários. "A escolha não deve considerar apenas quanto será pago de imposto, mas também despesas, margem de lucro, folha de pagamento e características da atividade", destaca.

Publicidade

6. O empreendedor está próximo de ultrapassar o teto

Mesmo com a ampliação prevista, ultrapassar o limite continua sendo um ponto de atenção. Atualmente, quando o MEI excede o teto em até 20%, há regras específicas para o desenquadramento. Quando o excesso supera 20%, o desenquadramento pode produzir efeitos retroativos. Até a entrada em vigor dos novos limites, seguem valendo as regras atuais.

Aumento do teto não elimina a necessidade de planejamento

Para Matheus Lopes, a principal mudança para o microempreendedor será ter mais espaço para crescer antes de precisar migrar de regime. O novo teto, caso aprovado, deverá ser encarado como uma oportunidade para planejar, e não como motivo para deixar a análise tributária para depois.

"É positivo que o empreendedor tenha mais margem para desenvolver sua empresa dentro do MEI, mas ele precisa olhar para o negócio como um todo. A pergunta não deve ser apenas 'quanto posso faturar como MEI?', mas 'qual estrutura tributária faz sentido para a empresa que quero construir?'", destaca o especialista.

A recomendação é que o microempreendedor acompanhe mensalmente o faturamento, faça projeções para os próximos meses e procure orientação contábil antes de atingir o limite. Dessa forma, quando a migração for necessária, ela poderá ser planejada sem comprometer o fluxo de caixa ou interromper o crescimento da empresa.

Publicidade

Por Carla Baptista

Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações