Mais da metade das agências de marketing digital no Brasil fecham antes de cinco anos devido à falta de gestão estratégica, centralização de decisões, ausência de cultura organizacional e processos bem definidos, priorizando técnica em detrimento de visão empresarial.
O mercado de marketing digital movimenta bilhões de reais por ano no Brasil e se consolida como um dos pilares da nova economia. Com a constante evolução das tecnologias e canais digitais, cresce também o número de profissionais que decidem empreender e abrir suas próprias agências. No entanto, apesar do potencial, mais da metade dessas agências encerram suas atividades antes de completar cinco anos, segundo a ABRADi (Associação Brasileira dos Agentes Digitais).
O problema não está na falta de conhecimento técnico. Pelo contrário: muitos desses profissionais dominam ferramentas como SEO, mídia paga, design e automação. O grande desafio é que poucos estão preparados para gerir um negócio de forma estratégica. Acreditar que excelência técnica basta é um dos erros mais comuns e mais custosos.
O erro recorrente está na crença de que a excelência técnica é suficiente para garantir o sucesso de uma agência. Sem planejamento, liderança e processos bem definidos, o empreendedor acaba centralizando todas as decisões e entregas, criando o que se chama de “eugência”: um modelo onde tudo depende de uma única pessoa. Isso limita o crescimento, sobrecarrega o gestor e compromete a saúde do negócio.
Além disso, a ausência de cultura organizacional, gestão de equipes e ferramentas de produtividade contribui para perdas de tempo, retrabalho e baixa retenção de clientes — um fator essencial que muitas vezes é negligenciado em favor da aquisição acelerada.
O mercado digital brasileiro é altamente competitivo e não tolera estruturas frágeis. Para prosperar, não basta ser um especialista técnico com domínio de ferramentas e tendências: é fundamental dar um passo além e assumir a postura de empresário, capaz de construir sistemas operacionais eficientes, processos bem definidos e uma cultura organizacional sólida.
As agências que hoje se destacam não são necessariamente aquelas com os profissionais mais qualificados tecnicamente, mas sim as que estruturaram seus negócios de forma que continuem gerando resultados de forma previsível, mesmo sem a presença constante de seus fundadores. A diferença entre atender cinco ou cinquenta clientes com qualidade está, muitas vezes, na maturidade da gestão e não na excelência da execução individual.
Portanto, dominar ferramentas é o que garante a sobrevivência no curto prazo; já a visão estratégica de negócio é o que define a sustentabilidade no longo prazo. O futuro do setor será liderado por quem compreende que a profissionalização da gestão deixou de ser diferencial, é requisito básico para permanecer no jogo.
(*) Lucas Bianchini e Lucas Ueno são executivos de marketing