Juros futuros caem em dia de baixa do petróleo e IPCA-15, com eleição em foco

25 set 2026 - 17h03
Resumo
As taxas dos DIs fecharam em queda nesta sexta-feira, influenciadas pelo recuo do petróleo no exterior e ajustes locais após recentes altas. O mercado repercutiu o IPCA-15 de setembro, que subiu 0,70% e veio acima do esperado, gerando dúvidas sobre novos cortes da Selic devido à pressão no setor de serviços. O cenário eleitoral seguiu no radar após pesquisa Datafolha mostrar empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, enquanto os rendimentos dos Treasuries avançaram nos Estados Unidos.

Após avançarem nas duas sessões anteriores, ‌as taxas dos DIs fecharam a sexta-feira com baixas, em uma sessão de queda do petróleo no exterior, alta dos rendimentos dos Treasuries e novos dados sobre a inflação, com a disputa eleitoral no Brasil ainda no foco.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,645%, com baixa de 2 pontos-base ante o ajuste de 13,667% da sessão anterior. ⁠Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,98%, ‌com recuo de 7 pontos-base ante 14,054%.

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Depois de disparar nos últimos dias, o petróleo Brent cedeu nesta sexta-feira, mas ainda se manteve em nível elevado, na faixa dos US$104 o barril neste ‌fim de tarde. Por trás do movimento está a expectativa ‌de que EUA e Irã possam chegar a um acordo de paz, ainda que ataques ⁠dos houthis contra a Arábia Saudita continuem ameaçando o fornecimento de petróleo.

Apesar do recuo do petróleo, os rendimentos dos Treasuries de dez e 30 anos voltaram a subir, refletindo as preocupações dos agentes com a continuação da guerra e a inflação norte-americana.

No Brasil, porém, o dia foi de redução dos prêmios na curva, após os avanços mais recentes, com os investidores ponderando não apenas o cenário externo, ‌mas também os números mais recentes da pesquisa Datafolha e do IPCA-15.

O Datafolha informou na noite de quinta-feira ‌que o presidente Luiz Inácio ⁠Lula da Silva (PT) seguiu com ⁠vantagem de 2 pontos sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno da eleição presidencial.

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Lula tem ⁠47% e Flávio soma 45%. Como a margem de erro ‌é de 2 pontos percentuais, ‌os dois estão tecnicamente empatados. Na semana passada Lula tinha 46% e Flávio registrava 44%.

Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou pela manhã que o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, subiu 0,70% em setembro, após recuar 0,40% em agosto. Em 12 meses, houve ⁠alta de 4,47% em setembro, contra 4,24% em agosto. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam altas menores, de 0,53% em setembro e 4,30% em 12 meses.

A abertura do indicador mostrou que a alta dos serviços passou de 0,07% em agosto para 0,59% em setembro, enquanto a taxa de serviços subjacentes, que exclui alguns itens mais voláteis, passou de 0,50% ‌para 0,28%, conforme cálculos do banco Bmg. A inflação de serviços intensivos em mão de obra variou de 0,55% para 0,56%.

Ainda de acordo com o Bmg, a taxa média dos núcleos de ⁠inflação calculados pelo Banco Central foi de 0,22% para 0,34%.Para Flavio Serrano, economista-chefe do Bmg, o resultado do IPCA-15 de setembro não altera o cenário atual para a taxa básica Selic, atualmente em 13,75%. Segundo ele, um novo corte da taxa pelo Banco Central no início de novembro dependerá da dinâmica do boletim Focus -- que hoje projeta mais uma redução de 25 pontos-base, mas uma inflação de 4,92% este ano, distante da meta de 3%.

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O economista Gabriel Pestana, da Genial Investimentos, avaliou que o IPCA-15 tornou "mais desafiadora" a expectativa de novo corte da Selic em novembro.

"A combinação de serviços mais fortes, núcleos acima do esperado e riscos em alimentos e gasolina sinaliza uma inflação pior para o fim do ano", disse Pestana. "Se esses sinais persistirem, o Banco Central terá mais motivos para esperar antes de cortar novamente."

No exterior, às 16h33 o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 1 ponto-base, a 5,171%.

(Edição de Pedro Fonseca)

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