JHSF mira expansão de negócios após fortalecer caixa com venda de R$ 5,2 bi em imóveis

Empresa passou de uma dívida líquida de R$ 2,2 bi no 3º trimestre para um caixa líquido de R$ 2,3 bi no 4º trimestre de 2025

31 mar 2026 - 13h16
(atualizado às 14h36)

Após concluir a venda de centenas de imóveis numa só tacada, a JHSF inicia 2026 com mais recursos em caixa e fôlego suficiente para expandir os negócios nas áreas de shopping centers, hotelaria, aeroporto e clubes que compõem o seu ecossistema de luxo.

Quem afirma é o presidente da JHSF, Augusto Martins, em entrevista ao Estadão/Broadcast. "Ficamos ainda mais fortes para expandir nossos negócios nas áreas de renda recorrente. Temos investido mais de meio bilhão de reais com negócios por ano aí", disse.

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A JHSF vendeu, em dezembro, um conjunto de 496 lotes, casas e apartamentos avaliados em R$ 5,2 bilhões para um novo fundo de investimento imobiliário. Desse valor total, R$ 1,586 bilhão entrou no caixa da empresa no quarto trimestre, enquanto o restante será reconhecido ao longo dos próximos meses, conforme o andamento das obras. Com isso, a JHSF passou de uma dívida líquida de R$ 2,2 bilhões no terceiro trimestre para um caixa líquido de R$ 2,3 bilhões no quarto trimestre de 2025.

o presidente da JHSF, Augusto Martins
o presidente da JHSF, Augusto Martins
Foto: JHSF/Divulgação / Estadão

A megaoperação foi articulada para separar os negócios de incorporação imobiliária e injetar capital na JHSF, que dará mais atenção aos outros negócios do grupo, como shoppings, hotéis e aeroporto (chamados de ativos de renda recorrente). "O foco para o uso desse dinheiro será abastecer os projetos em obras, com entregas previstas nos próximos anos", afirmou o executivo.

Entre os principais projetos na fila, está a expansão do Shopping Cidade Jardim, que ganhará mais 3,2 mil metros quadrados para abrigar novas grifes, como Loro Piana, Alïa, James Perse e Fusalpe. Outro grande passo será a entrega da área comercial, batizada de Town Center, localizada no loteamento privado Boa Vista Village, em Porto Feliz (SP).

A companhia também vai construir mais três hangares e ampliar o pátio do seu aeroporto de aviação executiva de São Roque (SP). Segundo Martins, a ampliação do Campo de Marte, em São Paulo, não preocupa. "O setor vem crescendo de maneira muito forte, e nós temos uma pista maior, que permite um uso por mais tipos de aeronaves", comparou.

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A lista de projetos para 2026 inclui ainda a abertura do Fasano na Sardenha, Itália, e novas casas para locação dentro dos loteamentos do grupo. Já para 2027, o destaque será o complexo com shopping e escritório em plena Faria Lima, na capital paulista.

A combinação das receitas atuais com a dos projetos que serão entregues deve levar o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado dessa divisão de negócios a crescer em torno de 50% nos próximos dois anos, chegando a aproximadamente R$ 1 bilhão. "Esse é o nosso horizonte considerando os projetos já contratados, com as entregas previstas", disse Martins.

Uma vez que isso tudo se concretize, a expectativa é de maximizar o valor das ações. Hoje, a empresa é negociada a cerca de 10 vezes o seu lucro operacional, medido pelo Ebitda. Já conglomerados internacionais do mesmo gênero são avaliados a um múltiplo de 15 a 20 vezes. "Com esse raciocínio lógico, rapidamente a companhia deveria checar a esse múltiplo maior, gerando muito mais valor para o acionista", estima o presidente.

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