O Ibovespa renovou máxima histórica nesta terça-feira, perto dos 166.500 pontos, em movimento puxado pela melhora das blue chips Vale e Petrobras, descolando do viés negativo de mercados acionários no exterior, onde os negócios eram afetados principalmente por novas ameaças de tarifas dos Estados Unidos.
Por volta de 15h15, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, avançava 0,71%, a 166.024,89 pontos, após ter marcado 166.467,56 pontos no melhor momento, recorde intradia. Na mínima, registrada mais cedo, quando o exterior ainda pressionava, apurou 163.574,67 pontos.
O volume financeiro na bolsa somava quase R$14 bilhões.
O Ibovespa ganhou fôlego no final da manhã, quando as bolsas norte-americanas abriram, com preocupações envolvendo os planos de Donald Trump para a Groenlândia e dúvidas relacionadas ao comando do Federal Reserve pressionando Wall Street, mas endossando o movimento de rotação de recursos que marcou 2025.
Na visão do analista Felipe Cima, da Manchester Investimentos, o Brasil acaba se beneficiando desse movimento, uma vez que a bolsa ainda está "bastante depreciada".
Dados da B3 neste começo de ano mostram entrada líquida de capital externo na bolsa, com o saldo positivo em R$7,3 bilhões até a última sexta-feira.
Em Nova York, o S&P 500 caía 1,5%, após fim de semana prolongado por feriado nos EUA na segunda-feira, minado por ameaças recentes de Trump sobre tarifas adicionais de importação a produtos de países da Europa em sua busca para assumir o controle da Groenlândia, que pertence à Dinamarca.
Cima também chamou a atenção para a notícia de que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou visita do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso em Brasília.
Para o analista da Manchester, não se espera nenhum anúncio ou mudança do cenário atual, "mas o que parece é que ele (Bolsonaro) quer deixar várias portas abertas para que, conforme o cenário vá se desenhando, ele possa ir se movendo de uma forma mais prudente, sem perder a relevância".
DESTAQUES
- VALE ON subia 1,39%, revertendo a fraqueza do começo do pregão, mesmo com a queda dos preços futuros do minério de ferro. No setor, CSN ON mostrava declínio de 2,28%, seguida por USIMINAS PNA, com baixa de 2,04%, CSN MINERAÇÃO ON, com decréscimo de 1,26%, e GERDAU PN com variação negativa de 0,05%.
- ITAÚ UNIBANCO PN avançava 0,96%, conforme os bancos do Ibovespa também reverteram o sinal negativo. BRADESCO PN avançava 1,38%, BANCO DO BRASIL ON -- que aprovou payout de 30% para 2026 -- ganhava 0,84%, SANTANDER BRASIL UNIT tinha elevação de 1,23% e BTG PACTUAL UNIT mostrava alta de 0,57%.
- SABESP ON valorizava-se 2,85%, tendo no radar que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovaram a aquisição da geradora de energia Emae pela companhia de saneamento, em derrotas para o empresário Nelson Tanure, que tentava barrar a operação e ainda a contesta judicialmente.
- PETROBRAS PN subia 0,5% e PETROBRAS ON avançava 1%, endossadas pela alta dos preços do petróleo no exterior.
- B3 ON recuava 1,99%, no segundo pregão de queda seguido, após um começo de ano positivo, em parte pelas expectativas favoráveis para o mercado acionário brasileiro. Até a sexta-feira, os papéis acumulavam valorização de quase 13%.
- SUZANO ON caía 0,64%, tendo como pano de fundo relatório de analistas do Citi, que cortaram a previsão para o Ebitda ajustado no quarto trimestre em 3%, para R$5,2 bilhões, a fim de refletir preços realizados de celulose ligeiramente mais baixos e maior custo caixa por tonelada (COGS). KLABIN UNIT tinha variação positiva de 0,05%.
- C&A MODAS ON avançava 5,27%, buscando uma trégua, após registrar mínimas intradia desde março nos últimos pregões, com a queda acumulada no ano até a segunda-feira superando 24%. No setor, LOJAS RENNER ON subia 2,54%.
- COGNA ON registrava elevação de 1,11% e YDUQS ON valorizava-se 1,01%, com agentes financeiros ainda avaliando os potenciais desdobramentos do resultado do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que pressionou o setor na véspera ao mostrar que cerca de 100 cursos de medicina em todo o país tiveram desempenho insatisfatório.